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Coaching propõe acompanhamento especializado para profissionais que desejam identificar carências e desenvolver competências.

Mais do que um treinamento convencional, o coaching é um programa personalizado de desenvolvimento pessoal e profissional. Um dos principais trunfos da metodologia é se valer da observação externa – de um profissional treinado para isso – que não apenas aponta carências, mas indica caminhos para eliminá-las.

Confira entrevista com o coach Jansen de Queiroz Ferreira, que tem experiência de dez anos em Coaching Executivo com empresários, executivos e jovens profissionais e desenvolveu o conceito de coaching.br, adaptado à cultura de gestão brasileira.

Qual o diferencial do coaching em relação a outras metodologias?

O acompanhamento. Treinamentos comportamentais em geral são ineficazes, pois mudanças não se dão em saltos, mas por processo evolutivo. Como temos limitações para nos autopercebermos, poucas pessoas conseguem se desenvolver sem acompanhamento. O pior erro de pessoas e organizações é o que não é percebido. Ou seja, erra-se sem saber.

Como o coaching ultrapassa esse obstáculo?

O conceito de homem de cada um determina as relações interpessoais. Afinal, se o conceito é de que somos seres racionais, espera-se o mesmo dos outros. Mas não somos eminentemente razão. O único conceito de homem que se alinha também à vida corporativa é: o homem é um indivíduo porque é único, gregário porque vive em sociedade, interdependente, eminentemente emocional, que procura agir com racionalidade. Relaciona-se totalmente com a gestão que, para mim, é arte e ciência; razão e emoção.

Qual o principal problema dos gestores brasileiros?

Os profissionais brasileiros acreditam que teoria, na prática, é outra coisa. Isso coloca em xeque o valor do estudo. Daí, transformamos a atividade profissional num jogo de azar. Sem fundamentação teórica, não há referenciais que aumentem a possibilidade de acerto.

Como o coach ataca esse problema?

Só se obtém resultado se procedimentos, normas e ferramentas estiverem fundamentados em conceitos e na cultura da organização. Antes de aplicar coach numa empresa que não acredita nas pessoas é preciso alterar sua cultura. Uma escada sempre é varrida de cima para baixo. O mesmo ocorre nas organizações. Nenhum líder é capaz de motivar, mas pode desmotivar.

Coaching é sempre baseado em erros?

Não. Os melhores clientes do coach são aqueles que menos precisam. Quem precisa rejeita o coach, pois os perdedores, ao contrário dos vencedores, não gostam que lhe apontem os erros. Os vencedores têm energia e determinação para superar obstáculos. O coaching tem como objetivo não apenas o autoconhecimento, mas também a autorrealização. Propõe construir riqueza material com riqueza moral.

Somente profissionais experientes se beneficiam do coaching?

Não. Qualquer ser humano só cresce quando se auto percebe ou recebe feedback, quando deixa de culpar os pais, a empresa ou o governo – só evolui quando percebe as carências e percebe a necessidade de autodesenvolvimento. Algumas faculdades têm implantado processos de coaching, pois a maioria dos recém-formados precisa entender que nada é mais prático do que uma boa teoria.

Em quanto tempo aparecem os resultados?

Nada acontece se o cliente não quiser. Eu não tenho o poder de fazer você querer. Se percebo que o cliente quer passar pelo processo só para colocar no currículo, suspendo as sessões. Por isso que coach tem que ser feito por alguém com certa idade, independência financeira e moral. Sem isso, o coach vai querer competir com o cara quando ele começar a fazer sucesso.

O coach ajuda a definir metas?

Ajuda o cliente a ser específico. Se eu tenho um objetivo, minha atividade de hoje tem que estar alinhada com ele. Sem objetivo, o presente determina o futuro e ele se torna incerto. Quando não se tem objetivo, faz-se qualquer coisa no presente.

Como as empresas podem se beneficiar do coach?

Quem passa pelo processo tem melhor competência interpessoal, aprende a dar e receber feedback e sabe trabalhar em equipe, pois percebe que a única maneira de diminuir a margem de erro é trabalhando em equipe.

Fonte: Portal HSM.

Veja onde estão os maiores problemas.

Por: Viviam Klanfer Nunes*

Como ser feliz no trabalho? Sem dúvida, você já deve ter se feito tal pergunta em algum momento da sua vida profissional. A resposta, porém, não é tão complicada quanto se imagina.

Primeiro, deve-se identificar os aspectos da profissão, do emprego e da carreira que o fazem se sentir preocupado, desmotivado e insatisfeito e atuar neles. Nessa análise, você verá que a remuneração, sempre entre as principais preocupações dos trabalhadores, não é o elemento fundamental.

Para nos ajudar nessa análise, a equipe InfoMoney contou com a ajuda da consultora de planejamento de carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Karla Oliveira, que elaborou uma lista de elementos que devem ser observados para se alcançar o máximo de felicidade no trabalho:

Qualidade de vida – antes de mais nada, é preciso entender que a felicidade no trabalho não está relacionada apenas ao que acontece enquanto você está realizando suas atividades na empresa. “Se a pessoa não tem uma vida saudável, está sempre com problemas de saúde, e isso vai afetar diretamente sua felicidade no trabalho”, diz Karla.

Vida pessoal - na mesma linha do item anterior, se a sua vida pessoal estiver cheia de problemas, você dificilmente conseguirá deixá-los em casa, quando estiver trabalhando. Aqui também entra a questão do orçamento. “Se o profissional estiver cheio de dívidas, sem conseguir pagar as contas ao final do mês, ele vai ficar constantemente perturbado com essas questões, o que consequentemente afetará sua felicidade”, avalia Karla.

Estabeleça limites – alguns dos maiores problemas que impedem a felicidade no trabalho nem sempre podem ser resolvidos pelo próprio profissional, porque são questões que dependem do comportamento de outra pessoa. Chefes intransigentes, inflexíveis e rígidos demais normalmente causam grande infelicidade aos seus subordinados.

Segundo Karla, nessa situação, o profissional tem, basicamente, dois caminhos. Primeiro, ele deve tentar reverter a situação, tendo uma conversa clara e objetiva com o líder. “Tem que ser uma conversar franca. Ainda o profissional tem que expor sua visão baseado em bons argumentos. Se ele for evasivo na conversa, possivelmente terá dificuldades para resolver os problemas”, explica Karla.

Nessa conversa, o profissional deve estabelecer limites no relacionamento, ou seja, deixar claro até que ponto o tratamento do chefe não está sendo coerente com uma postura profissional. Caso a conversa não surta o efeito esperado, passa a ser interessante encontrar outro setor, outra área ou até mesmo outra empresa. Mas lembre-se: nem sempre o problema é o chefe. Veja se não é você mesmo que está gerando os problemas.

Crie um ambiente agradável - mas não é só o chefe que pode causar infelicidade. Uma equipe composta por membros que não sabem respeitar o espaço do outro, por exemplo, vai tornar a situação muito difícil. Os profissionais devem, porém, tentar conviver da melhor maneira possível com seus pares.

Para construir um ambiente saudável, porém, todos os membros devem colaborar. A dica aqui é ser flexível, humilde, aceitar a opinião do outro, ser otimista e tentar ser companheiro. “É sempre interessante se colocar no lugar do outro”, diz Karla.

Mas, ainda assim, se você tiver feito de tudo para criar um ambiente agradável, mas os demais profissionais não colaborarem, vale a pena considerar encontrar outra posição.

Tenha foco - definir objetivos, elaborar um bom plano de carreira, correr atrás de desafios e ter foco no trabalho ajudam na felicidade. Isso porque esses são elementos altamente motivacionais. “Quando você está motivado e sabe aonde quer chegar, é mais difícil se perder ou ficar sem direcionamento, ficando, desta forma, menos vulnerável”, analisa Karla.

Karla entende que felicidade no trabalho é algo bastante subjetivo e deve ser trabalhada de forma constante. “Se a pessoa for persistente, procurar atuar naquilo que gosta, souber trabalhar em equipe e se conseguir se automotivar, as chances de ser feliz são grandes”, avalia Karla.

(*) É jornalista na InfoMoney.

Fonte: InfoMoney.

Consultoria: palavra cada vez mais usada no mundo corporativo ou em outras áreas. Nunca se falou tanto em consultores.

Por Abraham Shapiro*

Em primeiro lugar, há uma pressuposição de que consultoria dá dinheiro – o que é um engano. Em segundo, um crescente número de recém-diplomados  ou cerificados em um MBA, enxerga que as empresas são e estão desorganizadas, e que precisam dar conta de uma demanda de consumo que jamais existiu neste país. Isto configura uma oportunidade.

Mas assim como as igrejas proliferam mais em países onde a cultura geral do povo é baixa, com a finalidade de vender felicidade, prosperidade e salvação, muitas consultorias vestem roupagens visualmente  perfeitas, mas seu conteúdo não passa de efeitos especiais, como em filmes de ficção.

Existem basicamente dois tipos de consultoria – a consultoria de sintomas e a consultoria de causa.

O que faz a consultoria de sintomas? Trata dos problemas como se configuram aparentemente. Cobram uma fortuna por isso, deixam a empresa com a sensação enganosa de que o messias passou por lá e de que “todos os problemas acabaram”. Os empresários acreditam na mágica. Mas, passado um tempo, um problema maior que o primeiro vem à tona. Sim, pois, só os sintomas foram tratados.

Já a consultoria de causa atua diferente. O que faz? Primeiro conhece o problema. Depois, busca as causas E então, trata destas causas até que sejam eliminadas.

Se alguém tem dor de cabeça e vai ao médico que trata sintomas, sairá com a receita de um remedinho que trará conforto momentâneo. Após tomá-lo, ficará contente e talvez fará elogios à rapidez com que sua dor foi “resolvida”. Já, se esta pessoa for a um médico profissional, ele não irá receitar nada sem antes averiguar se a causa desta dor não é muito mais complexa – podendo ser algo grave como tumor cerebral. A mesma diferença ocorre em consultorias.

Uma empresa despreparada ou inepta se encantará mais pela consultoria de sintomas. Ela se ilude com a solução rápida dos problemas. É por isso que esse tipo de consultor cobra caro pelo seu trabalho, pois, consegue afastar os obstáculos aparentes. Na verdade, a raiz do problema continua lá e em breve o fará voltar com nova identidade e maior força.

As empresas estruturadas buscarão o consultor de causa para resolver suas necessidades. Esta consultoria ataca os fatores geradores dos problemas e, ela atuará utilizando princípios. O mal deste modus operandi é que poucas empresas creem em princípios. Geralmente, princípios são bons para os outros, nunca para si mesmo.

Qual das duas você escolhe?

Agora, se você contrata uma consultoria através de um guia telefônico, artigo de revista ou propaganda, sua situação é mesmo infernal. O trabalho de um consultor só é validado pelas referências positivas que ele realizou antes. Sem que você saiba o que ele já fez, conseguir resultados será um prêmio de loteria. Quer apostar? Bem, o azar é todo seu!

(*) É consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade.

Fonte: Blog Profi$$ão Atitude.

Opinião do blogueiro:

A vida e a atividade profissional me ensinaram que consultor muitos podem ser, o difícil é ser consultável. Simples assim!

Albírio Gonçalves.

Aliar estratégia à inovação é fundamental para o sucesso da organização como um todo. Aprenda a conciliar esses dois lados da moeda e veja seus resultados melhorarem expressivamente.

A falta de ideias inovadoras é algo que muitas vezes tira o sono de um empreendedor. Quando surge algo que parece completamente novo é normal que a animação contagie todos os envolvidos, que passam a sonhar com a hora de ver a ideia em prática e colher os frutos dessa inovação.

Porém, é justamente nesse momento de euforia que um grande erro pode ser cometido. Pensando apenas na inovação e nos benefícios que ela pode trazer para a organização, os envolvidos se esquecem das estratégias do negócio, que foram construídas ao longo dos anos e que são cruciais para o funcionamento da empresa.

Assim, acabam prejudicando não somente o funcionamento da companhia, mas até mesmo a ideia inovadora, que pode ser que não se encaixe nos padrões da organização e acabe sendo mal aproveitada.

Por isso, antes de sair colocando à prova uma ideia que de cara parece inovadora é preciso pensar em alinhá-la às estratégias do negócio.

Funil da inovação

Uma boa forma de iniciar esse processo de alinhamento é criando o que os especialistas chamam de “funil da inovação”. Com ele, você define como será a evolução do projeto e aumenta as chances de evitar que gastos desnecessários sejam feitos.

Para isso, você precisa definir:

1- Recursos iniciais para desenvolver a ideia;
2- (Pequeno) investimento para montar a estratégia;
3- Investimento (médio) para modelar e testar;
4- Investimento (alto) para lançar.

A partir daí, cabe a você (ou ao gestor do conhecimento responsável pela ideia) ficar de olho em todo o processo e ir adequando as ações sempre que for necessário.

Porém, só isso não basta. É importante, também, que o gestor do conhecimento seja multidisciplinar, como lembra, em entrevista à revista Banas Qualidade, André Saito, PhD em Knowledge Science, diretor de Educação da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC) e do Centro de Open Innovation Brasil).

“A formação acadêmica desse profissional deve ser diversificada dependendo do ramo de atividade da empresa contratante, já que o conhecimento tem que estar alinhado às diretrizes do negócio”, analisa o professor.

Além disso, ele destaca também a importância da educação corporativa. “Aprendizado contínuo é o que se espera desse profissional, no sentido de abordar questões estratégicas, táticas e operacionais relacionadas à Gestão do Conhecimento”.

Tudo isso forma a base necessária para que a inovação não seja feita simplesmente pela necessidade de inovar, mas sim com o objetivo de agregar à estratégia da organização, coisa que, segundo Saito, já acontece dentro da Natura, por exemplo.

E as lições da empresa de cosmético nesse sentido são simples e fáceis de serem colocadas em prática dentro da sua organização. As preocupações dela são:

● Evolução de processos internos;
● Critérios claros para parcerias;
● Foco nos temas estratégicos de pesquisa;
● Estratégia de aquisição de tecnologia;
● Conexão com problemas de financiamento/investimento;
● Busca constante por oportunidades de projetos em parceria;
● Departamento de Pesquisa & Desenvolvimento forte e integrado;
● Capacitação interna e externa;
● Mudança de cultura (integração, colaboração, autonomia e senso crítico).

Fonte: Portal HSM.

Por Marcos Hashimoto*

Poucas áreas da Administração ganharam tanta repercussão e interesse nos últimos anos quanto empreendedorismo e inovação. Abrir um negócio próprio tem deixado de ser alternativa de quem não gosta de estudar para se tornar uma opção viável de carreira bem-sucedida.

Neste contexto, o crescimento do interesse no assunto acompanha proporcionalmente as dúvidas sobre o real significado da atividade empreendedora, sobretudo na discussão de dilemas típicos que acontecem no mundo empreendedor que as escolas não estão ainda preparadas para responder. Neste artigo apresento alguns exemplos de dilemas típicos e possíveis soluções que podem ser aplicadas em diversos tipos de empreendimentos.

1) Dilema do negócio social. Negócios sociais não são empresas tradicionais do segundo setor. Tampouco são empreendimentos com fins exclusivamente sociais do terceiro setor. Negócios sociais podem perfeitamente estar inclusos na categoria Setor 2,5, ou seja, negócios com fins lucrativos, mas que detém em parte importante da sua missão um impacto social ou ambiental positivo. A Solidarium, do empreendedor Tiago Dalvi, vencedor do Prêmio Empreendedor de Sucesso da Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios no final do ano passado, teve um dilema relacionado com este posicionamento no setor 2,5. O que acontece quando uma oportunidade de negócio bastante lucrativa entra em conflito com o benefício social que deveria gerar? Este foi o dilema da Solidarium ao ter que decidir continuar ou não um negócio com uma empresa que lhe fornecia material reciclado para confecção de bolsas. Um fornecedor que não esteja alinhado com os princípios da distribuição de renda justa ao longo da cadeia de valor não é de interesse da Solidarium. Mas esta mesma empresa lhe abriria condições muito interessantes de novos negócios em cadeias varejistas grandes como a Wal Mart. Vale a pena perder boas oportunidades de negócio para não abrir mão de seus princípios? Os fins justificam os meios? No final das contas, Tiago decidiu manter seus princípios e não se arrependeu. Embora tenha demorado um pouco mais do que esperava, com o tempo acabou encontrando alternativas que geraram os mesmos resultados, mas dentro dos princípios esperados.

2) Dilema intra-empreendedor. Empreendedor não é só quem abre um negócio próprio, podem ser também negócios iniciados por funcionários em empresas já existentes. A discussão sobre este tema gira em torno da motivação que certos funcionários têm de iniciar um novo empreendimento para o seu empregador, muitas vezes em troca de nada. Porque eles fazem isso? Trata-se do caso de um jovem analista de sistemas que desenvolve, por conta própria, um sistema de help-desk para resolver os problemas que seus amigos, que trabalham no setor de atendimento da mesma empresa, enfrentam por não terem uma ferramenta apropriada para gerenciar os chamados recebidos. Contra todos – inclusive seu chefe – que diziam que ele não tinha que ficar inventando nada e sim se manter ao seu cargo e posição, fazendo o que mandam apenas. Sua determinação o levou a trabalhar no projeto sem ajuda, dedicando seu tempo livre para desenvolver e testar o sistema. Ele quase foi despedido por sua impertinência e desobediência, mas no final, sua realização foi tão relevante que o sistema não só resolveu os problemas internos da área, mas se tornou mais um produto da companhia, tendo ele como sócio deste novo negócio. É uma história cujo final é raro nos ambientes organizacionais, pois as pessoas são normalmente penalizadas por tentar fazer algo diferente sem autorização e os chefes não costumam tolerar funcionários com autonomia e que assumem riscos por conta própria.

3) Dilema da gestão. Uma das causas mais comuns de fracassos de novos empreendimentos, segundo pesquisa do Sebrae, é a falta de planejamento e competência em gestão. Os cursos de Administração de Empresas e de Gestão de Negócios estão em alta entre pequenos proprietários de empresas porque os empreendedores não querem mais se sujeitar à aventura do improviso e do jogo de cintura para lidar com os imprevistos. Alguns empreendedores, entretanto, não pensam assim, acreditam que pensar demais paralisa, planejar demais gera medo e que a atitude empreendedora é, acima de tudo, a capacidade de realização. Walter Mancini é um destes empreendedores. O império gastronômico que construiu na Rua Avanhandava, em São Paulo, é seu principal argumento. Sua história pessoal, de superação, de fracassos seguidos e dificuldades financeiras também dá muita credibilidade ao seu jeito de pensar, decidir e agir. Walter é destes empreendedores que tomaram cada experiência pessoal como rico aprendizado, muito mais rico do que poderia obter de um banco de escola, e depois de ter sido duramente forjado por tais vicissitudes, toma cada decisão fundamentado nesta experiência, de forma intuitiva e subjetiva. As técnicas e ferramentas que as escolas de gestão são importantes? Sim, fundamentais e imprescindíveis em muitos casos, sobretudo quando o empreendedor não possui esta intuição que Walter goza e usufrui com tanta propriedade. Empreendedores como Walter são raros, únicos, exceções à regra e a regra é: A maioria de nós, que infelizmente não têm este dom, precisa sim, e muito, das racionais e positivistas teorias de como se administra um negócio de sucesso.

4) Dilema da inovação. Muito do que ouvimos falar hoje sobre inovação gira em torno da ciência e da tecnologia. Nada mais natural, uma vez que os avanços nestes campos é que dão maiores chances de geração de inovações radicais e de alto impacto. Talvez por este motivo, a indústria de Venture Capital, ou capital de risco, esteja fortemente embasada neste tipo de inovação, que tem mais chances de gerar negócios de rápido crescimento. O que ainda não sabemos é se este mercado de investimento de risco já está sensível ao potencial de negócios que não necessariamente trazem grandes inovações, mas inovações incrementais de processos produtivos, porém altos ganhos para o ambiente, pelo forte apelo de sustentabilidade. Este é o caso da Ecoplast, que fabrica compostos de plástico com fibras naturais que substituem com perfeição qualquer produto baseado em plástico ou madeira, pois consegue reproduzir o melhor das propriedades de cada material: a durabilidade e flexibilidade do plástico com a consistência e aparência da madeira. Para quem conhece o segmento, sabe que o produto em si não é inovador, já existem muitas empresas que fazem isso. O mérito dos empreendedores por trás da Ecoplast, Débora Bonato, Marcelo Albernaz e Plínio Akamine está no processo produtivo. Eles desenvolveram uma técnica que melhora a eficiência no processo produtivo, não só reduzindo os custos operacionais, mas permitindo o uso de uma variedade maior de fibras naturais na composição, como bagaço de cana, casca de arroz e casca de coco. Apesar da inovação, os empreendedores não conseguem levantar os fundos necessários para montar o negócio, porque os investidores têm ofertas melhores de negócios baseados em inovação de alto impacto. A saída foi dar um novo direcionamento ao seu plano de negócio e seu discurso de venda, ressaltando o fato de que o novo processo contribui para o uso de fibras naturais, antes desperdiçadas em atividades de baixo valor, como fornos de biomassa, para serem reinseridas na cadeia de valor na forma de produtos acabados, ou seja, um apelo muito mais forte no argumento da sustentabilidade do que na inovação em processo.

5) Dilema do capital de risco. A despeito do crescimento da indústria de capital de risco no mundo inteiro, sobretudo em economias emergentes com o Brasil, que surgiu como opção muito atrativa à crise econômica internacional, a disponibilidade de fontes de recursos financeiros de risco para startups ainda é muito abaixo do que a demanda do mercado. Isso fez com que empreendedores endeusem os investidores de risco além do recomendável. Indo contra esta maré, surge o Chaps.com, um negócio de vendas de capítulos de livros pela internet especializado no mercado de livros textos acadêmicos. Os cinco empreendedores conceberam o negócio em meio ao primeiro grande ‘boom’ das empresas de internet, no final da década de 90, a tão propalada ‘nova economia’ que despertou o mundo para o investidor de risco, ou venture capitalists. Ao escrever o plano de negócios, estes empreendedores se deram conta que o negócio deles era tão interessante e tão atrativo, que escolheram o modelo de financiamento por débito ao invés de equities. Isso significava que eles pediriam dinheiro ao investidor com uma promessa de retorno com base em uma taxa de remuneração pré-estabelecida, totalmente contrária à lógica do investimento de risco, no qual o investidor entra com um forte aporte financeiro objetivando alto e rápido crescimento para um retorno muitas vezes a mais do valor investido como recompensa de ter compartilhado o risco com o empreendedor. Na visão dos sócios, o negócio era de baixo risco. O plano de negócios mostrava que sob todos os cenários, mexendo em todas as variáveis e diante dos diversos riscos, o negócio sempre seria altamente lucrativo. Portanto, porque dividir os altos lucros se o risco de fracasso seria baixo? Diante desta lógica, os empreendedores foram bater na porta dos investidores com este plano de negócio. Apesar da promessa de retorno ser alta, os investidores não se interessaram porque a lógica deles é baseada no modelo de equities, ou seja, uma participação no negócio, que seria vendida algum tempo depois para realizar os ganhos. Resultado: a busca foi infrutífera e, quando se decidiu abrir mão dos ganhos para conseguir captar um investimento, deu-se a quebra da Nasdaq, o ‘estouro da bolha da internet’, quando então os fundos de capital de risco caíram em si da insanidade do mercado de risco e subitamente, como a síndrome do gato escaldado, interromperam todos os investimentos em startups, redirecionando seu foco em negócios já estabelecidos, com o mínimo de ativos como lastro de segurança. Com esta mudança de postura, o Chaps.com, que só existia no papel, enterrou de vez suas pretensões empreendedoras.

(*) É consultor, professor da ESPM e um dos autores do livro Práticas de Empreendedorismo: Casos e Planos de Negócios, Editora Elsevier.

Fonte: Época Negócios Online.

A Administração não é uma disciplina puramente mercadológica. Deve ser uma filosofia de vida nos âmbitos pessoal e social. Quão bem você administra as múltiplas áreas da sua existência?

Por Miguel R. Olivas*

Você escolheu ser administrador. Parabéns! Em artigos e reportagens anteriores, você já deve ter lido que a Administração é a área que mais forma profissionais no Brasil, o que pode nos dar a tranquilidade de não estarmos sós. Na verdade, alguns diriam que temos companhia demais.

Também deve saber da grande variedade de escolas e da qualidade oferecida pelas instituições e seus professores. Isso poderia incomodá-lo, fazê-lo sentir que seu futuro profissional será muito disputado. Mas não se preocupe: não existe formação profissional perfeita e qualquer decisão de carreira que tomemos sempre terá algum lado negativo. Para mim, a pergunta mais importante não é se fiz a melhor escolha, mas quão bem a coloco em prática.

Dois princípios que uso para otimizar a aplicação do material nos cursos de Administração que ofereço em graduações e mestrados são o equilíbrio e os “círculos concêntricos”. Ao falar de equilíbrio, quero dizer, essencialmente, que todos os nossos interesses devem estar harmonizados, sem contradições internas ou proporções inadequadas. Já com o princípio de “círculos concêntricos”, quero dizer que necessitamos estar assegurados de que essa harmonia interna transcenda as áreas interpessoal, social e assim sucessivamente.

O primeiro princípio é simples: no âmbito pessoal, nossa vida é composta de áreas importantes como a espiritual, a intelectual, a física, a artística, a econômica etc. É muito fácil descuidar de algumas dessas áreas ao longo da vida. Porém, de que nos serve ter sucesso economicamente se não temos saúde? Ou, então, dedicar uma grande parte do nosso tempo ao intelectual, mas não desenvolvermos nossas capacidades artísticas? Minha sugestão é balancear todos esses aspectos importantes de nossas vidas para nos ajudar a viver com maior plenitude e afetar positivamente as pessoas que nos rodeiam. Conceitos como realização profissional, compromisso organizacional e participação são mais facilmente observados em pessoas que buscam ativamente um equilíbrio em sua vida pessoal.

É verdade que, em algumas ocasiões, temos que dar prioridade a certas áreas. Por exemplo, é importante focar-se nos estudos durante os anos de preparação profissional. Obter boas notas nos abre portas, como fazer uma pós-graduação, conseguir bolsas ou ingressar em empresas interessadas em atrair profissionais de alto valor. Mas também é crucial não descuidar da nossa saúde – mediante uma boa alimentação e exercícios físicos adequados – nem do espiritual, através de preparação, meditação e apreciação das artes.

O segundo princípio se refere a levar esse equilíbrio às áreas interpessoal e social. À medida que as relações com o cônjuge, a família, o grupo de trabalho, a comunidade – os círculos concêntricos que rodeiam nossa individualidade – tenham prioridades adequadas, nossas vidas e as dos que nos cercam serão mais ricas e estarão cheias de satisfação e sucesso.

Quais as consequências da falta de equilíbrio pessoal quando isso acontece de maneira sistêmica ou em grande escala? Basta recordar o que iniciou a crise econômica nos Estados Unidos em 2008. Compradores de casas se endividaram muito mais do que podiam pagar, por conta dos créditos bancários disponíveis para quem quisesse aceitá-los.

Qualquer pessoa, sem importar sua escola ou seus professores, pode aplicar esses princípios em sua vida pessoal e profissional. Afinal de contas, estudamos para alcançarmos melhores níveis profissionais porque queremos ser felizes em nossas vidas pessoais, fazendo também felizes os que nos cercam. À medida que conseguirmos administrar esse equilíbrio, seremos os melhores administradores possíveis.

(*) É professor de Ciências Administrativas na Universidade Clarion de Pennsylvania (EUA). Suas pesquisas têm sido apresentadas em quatro continentes e três idiomas. É editor-chefe do “Business Journal of Hispanic Research” e editor da série de livros “Advanced Series in Management”.

Fonte: Portal Administradores.