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Por Marcos Hashimoto*

Poucas áreas da Administração ganharam tanta repercussão e interesse nos últimos anos quanto empreendedorismo e inovação. Abrir um negócio próprio tem deixado de ser alternativa de quem não gosta de estudar para se tornar uma opção viável de carreira bem-sucedida.

Neste contexto, o crescimento do interesse no assunto acompanha proporcionalmente as dúvidas sobre o real significado da atividade empreendedora, sobretudo na discussão de dilemas típicos que acontecem no mundo empreendedor que as escolas não estão ainda preparadas para responder. Neste artigo apresento alguns exemplos de dilemas típicos e possíveis soluções que podem ser aplicadas em diversos tipos de empreendimentos.

1) Dilema do negócio social. Negócios sociais não são empresas tradicionais do segundo setor. Tampouco são empreendimentos com fins exclusivamente sociais do terceiro setor. Negócios sociais podem perfeitamente estar inclusos na categoria Setor 2,5, ou seja, negócios com fins lucrativos, mas que detém em parte importante da sua missão um impacto social ou ambiental positivo. A Solidarium, do empreendedor Tiago Dalvi, vencedor do Prêmio Empreendedor de Sucesso da Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios no final do ano passado, teve um dilema relacionado com este posicionamento no setor 2,5. O que acontece quando uma oportunidade de negócio bastante lucrativa entra em conflito com o benefício social que deveria gerar? Este foi o dilema da Solidarium ao ter que decidir continuar ou não um negócio com uma empresa que lhe fornecia material reciclado para confecção de bolsas. Um fornecedor que não esteja alinhado com os princípios da distribuição de renda justa ao longo da cadeia de valor não é de interesse da Solidarium. Mas esta mesma empresa lhe abriria condições muito interessantes de novos negócios em cadeias varejistas grandes como a Wal Mart. Vale a pena perder boas oportunidades de negócio para não abrir mão de seus princípios? Os fins justificam os meios? No final das contas, Tiago decidiu manter seus princípios e não se arrependeu. Embora tenha demorado um pouco mais do que esperava, com o tempo acabou encontrando alternativas que geraram os mesmos resultados, mas dentro dos princípios esperados.

2) Dilema intra-empreendedor. Empreendedor não é só quem abre um negócio próprio, podem ser também negócios iniciados por funcionários em empresas já existentes. A discussão sobre este tema gira em torno da motivação que certos funcionários têm de iniciar um novo empreendimento para o seu empregador, muitas vezes em troca de nada. Porque eles fazem isso? Trata-se do caso de um jovem analista de sistemas que desenvolve, por conta própria, um sistema de help-desk para resolver os problemas que seus amigos, que trabalham no setor de atendimento da mesma empresa, enfrentam por não terem uma ferramenta apropriada para gerenciar os chamados recebidos. Contra todos – inclusive seu chefe – que diziam que ele não tinha que ficar inventando nada e sim se manter ao seu cargo e posição, fazendo o que mandam apenas. Sua determinação o levou a trabalhar no projeto sem ajuda, dedicando seu tempo livre para desenvolver e testar o sistema. Ele quase foi despedido por sua impertinência e desobediência, mas no final, sua realização foi tão relevante que o sistema não só resolveu os problemas internos da área, mas se tornou mais um produto da companhia, tendo ele como sócio deste novo negócio. É uma história cujo final é raro nos ambientes organizacionais, pois as pessoas são normalmente penalizadas por tentar fazer algo diferente sem autorização e os chefes não costumam tolerar funcionários com autonomia e que assumem riscos por conta própria.

3) Dilema da gestão. Uma das causas mais comuns de fracassos de novos empreendimentos, segundo pesquisa do Sebrae, é a falta de planejamento e competência em gestão. Os cursos de Administração de Empresas e de Gestão de Negócios estão em alta entre pequenos proprietários de empresas porque os empreendedores não querem mais se sujeitar à aventura do improviso e do jogo de cintura para lidar com os imprevistos. Alguns empreendedores, entretanto, não pensam assim, acreditam que pensar demais paralisa, planejar demais gera medo e que a atitude empreendedora é, acima de tudo, a capacidade de realização. Walter Mancini é um destes empreendedores. O império gastronômico que construiu na Rua Avanhandava, em São Paulo, é seu principal argumento. Sua história pessoal, de superação, de fracassos seguidos e dificuldades financeiras também dá muita credibilidade ao seu jeito de pensar, decidir e agir. Walter é destes empreendedores que tomaram cada experiência pessoal como rico aprendizado, muito mais rico do que poderia obter de um banco de escola, e depois de ter sido duramente forjado por tais vicissitudes, toma cada decisão fundamentado nesta experiência, de forma intuitiva e subjetiva. As técnicas e ferramentas que as escolas de gestão são importantes? Sim, fundamentais e imprescindíveis em muitos casos, sobretudo quando o empreendedor não possui esta intuição que Walter goza e usufrui com tanta propriedade. Empreendedores como Walter são raros, únicos, exceções à regra e a regra é: A maioria de nós, que infelizmente não têm este dom, precisa sim, e muito, das racionais e positivistas teorias de como se administra um negócio de sucesso.

4) Dilema da inovação. Muito do que ouvimos falar hoje sobre inovação gira em torno da ciência e da tecnologia. Nada mais natural, uma vez que os avanços nestes campos é que dão maiores chances de geração de inovações radicais e de alto impacto. Talvez por este motivo, a indústria de Venture Capital, ou capital de risco, esteja fortemente embasada neste tipo de inovação, que tem mais chances de gerar negócios de rápido crescimento. O que ainda não sabemos é se este mercado de investimento de risco já está sensível ao potencial de negócios que não necessariamente trazem grandes inovações, mas inovações incrementais de processos produtivos, porém altos ganhos para o ambiente, pelo forte apelo de sustentabilidade. Este é o caso da Ecoplast, que fabrica compostos de plástico com fibras naturais que substituem com perfeição qualquer produto baseado em plástico ou madeira, pois consegue reproduzir o melhor das propriedades de cada material: a durabilidade e flexibilidade do plástico com a consistência e aparência da madeira. Para quem conhece o segmento, sabe que o produto em si não é inovador, já existem muitas empresas que fazem isso. O mérito dos empreendedores por trás da Ecoplast, Débora Bonato, Marcelo Albernaz e Plínio Akamine está no processo produtivo. Eles desenvolveram uma técnica que melhora a eficiência no processo produtivo, não só reduzindo os custos operacionais, mas permitindo o uso de uma variedade maior de fibras naturais na composição, como bagaço de cana, casca de arroz e casca de coco. Apesar da inovação, os empreendedores não conseguem levantar os fundos necessários para montar o negócio, porque os investidores têm ofertas melhores de negócios baseados em inovação de alto impacto. A saída foi dar um novo direcionamento ao seu plano de negócio e seu discurso de venda, ressaltando o fato de que o novo processo contribui para o uso de fibras naturais, antes desperdiçadas em atividades de baixo valor, como fornos de biomassa, para serem reinseridas na cadeia de valor na forma de produtos acabados, ou seja, um apelo muito mais forte no argumento da sustentabilidade do que na inovação em processo.

5) Dilema do capital de risco. A despeito do crescimento da indústria de capital de risco no mundo inteiro, sobretudo em economias emergentes com o Brasil, que surgiu como opção muito atrativa à crise econômica internacional, a disponibilidade de fontes de recursos financeiros de risco para startups ainda é muito abaixo do que a demanda do mercado. Isso fez com que empreendedores endeusem os investidores de risco além do recomendável. Indo contra esta maré, surge o Chaps.com, um negócio de vendas de capítulos de livros pela internet especializado no mercado de livros textos acadêmicos. Os cinco empreendedores conceberam o negócio em meio ao primeiro grande ‘boom’ das empresas de internet, no final da década de 90, a tão propalada ‘nova economia’ que despertou o mundo para o investidor de risco, ou venture capitalists. Ao escrever o plano de negócios, estes empreendedores se deram conta que o negócio deles era tão interessante e tão atrativo, que escolheram o modelo de financiamento por débito ao invés de equities. Isso significava que eles pediriam dinheiro ao investidor com uma promessa de retorno com base em uma taxa de remuneração pré-estabelecida, totalmente contrária à lógica do investimento de risco, no qual o investidor entra com um forte aporte financeiro objetivando alto e rápido crescimento para um retorno muitas vezes a mais do valor investido como recompensa de ter compartilhado o risco com o empreendedor. Na visão dos sócios, o negócio era de baixo risco. O plano de negócios mostrava que sob todos os cenários, mexendo em todas as variáveis e diante dos diversos riscos, o negócio sempre seria altamente lucrativo. Portanto, porque dividir os altos lucros se o risco de fracasso seria baixo? Diante desta lógica, os empreendedores foram bater na porta dos investidores com este plano de negócio. Apesar da promessa de retorno ser alta, os investidores não se interessaram porque a lógica deles é baseada no modelo de equities, ou seja, uma participação no negócio, que seria vendida algum tempo depois para realizar os ganhos. Resultado: a busca foi infrutífera e, quando se decidiu abrir mão dos ganhos para conseguir captar um investimento, deu-se a quebra da Nasdaq, o ‘estouro da bolha da internet’, quando então os fundos de capital de risco caíram em si da insanidade do mercado de risco e subitamente, como a síndrome do gato escaldado, interromperam todos os investimentos em startups, redirecionando seu foco em negócios já estabelecidos, com o mínimo de ativos como lastro de segurança. Com esta mudança de postura, o Chaps.com, que só existia no papel, enterrou de vez suas pretensões empreendedoras.

(*) É consultor, professor da ESPM e um dos autores do livro Práticas de Empreendedorismo: Casos e Planos de Negócios, Editora Elsevier.

Fonte: Época Negócios Online.

A tecnologia enlouqueceu nossa vida com a facilidade de acesso a milhões de fontes sobre o mesmo assunto, mas também pode ser nosso salvador da pátria.

Por Christian Barbosa*

Gostamos e necessitamos de informações, quanto mais variadas forem, com qualidade e dentro de temas que nos interessem, contribuem para nossa formação intelectual, para nossa criatividade e uma vida mais sociável. No entanto, informações em excesso e sem controle podem se tornar um problema de tempo e saúde. Pesquisas recentes mostram o efeito de consumo de glicose no cérebro ao longo do dia, devido esse consumo que temos de informações. Sem glicose, tomamos piores decisões, procrastinamos e não temos paciência para ler aquele e-mail longo no fim do dia, que acaba sendo marcado como não lido para o dia seguinte.

A tecnologia enlouqueceu nossa vida com a facilidade de acesso a milhões de fontes sobre o mesmo assunto, mas também pode ser nosso salvador da pátria. No meu próximo livro (Resultados & Equilíbrio – Por que as pessoas não fazem o que deveriam fazer?), que lanço em maio, acumulei um volume de informação gigantesco ao longo de dois anos para compilar dados relevantes para o livro. Vou compartilhar o que apliquei nesse processo, que na verdade é um pequeno método de processamento de informação que consiste em 4 etapas:

1 – Filtrar

Eu acessava 113 blogs sobre produtividade, tecnologia, qualidade de vida e empreendedorismo. Irreal, mas a gente vai colocando nos favoritos e quando dá conta perde o controle. Eu simplesmente cancelei minha conta no Google Reader e comecei uma do zero com a missão de não ter mais de 10 blogs, o que me gera uma média de 4 posts/dia, bem mais razoável.

2 – Capturar

Eu tenho usado o Feedly no Ipad e Chrome para ler esses posts, o que faço sempre que estou no avião. Agora o que tem sido uma coisa fantástica é o Voice Reader que lê os meus blogs enquanto estou no trânsito, integrado ao meu bluetooth do carro. Ou seja, enquanto estou parado ele vai lendo os feeds para mim, algo tipo um audiobook! Isso salva um tempão (não funciona para posts em português). Além dos blogs, eu tenho usado bastante o Instapaper que grava o conteúdo para uma leitura posterior.

3 – Processar

Com essas fontes de informação centralizadas e capturadas eu reservo algum tempo na agenda semanal para ler essas informações. Além de horários de voo e trânsito, eu costumo reservar um período no final de semana para colocar a leitura em dia. Também gosto de ler um pouco todo dia pela manha. O que eu começo a ler e não é legal, nem termino, descarto direto. O que é bacana eu mando para o armazenamento e deleto do leitor.

4 – Armazenar

Para guardar as informações que realmente me interessaram de tudo que processei e recuperar posteriormente eu prefiro usar o Neotriad, na parte de conhecimento. Assim classifico, coloco no papel, faço um resumo e fica fácil achar e reutilizar.

Sem dúvida a informação é o vírus que vai matar o tempo da humanidade, seja por excesso ou por falta da informação correta. Ou você aprende a controlar a informação ou ela vai contaminar você!

(*) É um dos maiores especialistas no Brasil em administração de tempo e produtividade. É fundador da Triad Consulting e autor dos livros ‘A Tríade do Tempo e Você’, ‘Dona do Seu Tempo’, ‘Estou em Reunião’ e ‘Mais tempo Mais Dinheiro’.

Fonte: Portal Administradores.

O ídolo e inspirador dos executivos-ninja ao ser trazido para os dias de hoje seria um criminoso de guerra e genocida.

Por Ricardo Neves*

Minha Luta (Mein Kampf), livro escrito por Adolf Hitler em 1924, demorou alguns anos para se tornar aquele que seria o maior best-seller na Alemanha até o final da II Guerra. Na verdade as vendas do livro estouraram mesmo em 1933, quando Hitler ascendeu ao poder. Nesse ano um milhão de exemplares foram vendidos, o que tornou Hitler milionário.

Daí até a queda do Terceiro Reich, em 1945, mais de dez milhões de exemplares foram impressos e distribuídos. Praticamente todo lar alemão tinha um desses livros, até mesmo como forma de álibi para se proteger da Gestapo. Afinal não era todo mundo que acreditava nas arengas de Hitler sobre antissemitismo, supremacia racial e a justificativa e os planos para a guerra genocida na busca de “espaço vital” para a Alemanha Nazista.

O desfecho da Guerra colocou o sucesso editorial de Hitler na sua devida condição: um dos mais infames textos já produzidos na história.

Na década de 1970 em escavações em tumbas de antigos chefes militares na China, arqueólogos descobriram textos inscritos em tiras de bambu. Esses escritos traziam reflexões de autoria nebulosa sobre estratégia e táticas militares de mais de dois mil anos.

A repercussão da descoberta na mídia convenceu alguns editores espertos a criar um produto marqueteiro. Sem se importar com as polêmicas dos arqueólogos e historiadores, atribuíram sem hesitações a autoria dos escritos ao general Sun Tzu. Esse teria sido um sanguinário militar para o qual os fins justificavam quaisquer meios.

Esses editores souberam encontrar um prefaciador competente para embalar as primeiras edições. Trata-se de James Clavell que ajudou a generalizar as tais considerações belicistas como se fossem sabedoria e verdades que apontavam o caminho da vitória em todas as circunstâncias da vida das pessoas e não apenas em conflitos os militares. A vida era apenas uma guerra. Tudo na vida seriam batalhas de matar ou morrer, acontecessem elas em salas de diretoria, no relacionamento entre homem e mulher, na luta diária pela sobrevivência em todas as dimensões. “São todas formas de guerra, todos os combates sob as mesmas regras”, arrematava Clavell.

O projeto editorial A Arte da Guerra lançou Sun Tzu como um dos sábios da humanidade. Mas o objetivo mesmo era vender Sun Tzu como um vencedor que sabia o segredo do sucesso.

Este, sem receber um centavo de direitos autorais, se tornou um autor bem sucedido do gênero autoajuda. Entretanto as arengas militaristas de Sun Tzu foram reinterpretadas e particularmente absorvidas pelo meio corporativo como uma espécie de saber básico indiscutível para a gestão organizacional.

É lamentável que líderes nas empresas sejam formados para operar mentalmente usando Sun Tzu como inspiração.

A Arte da Guerra é, em sua essência, a bíblia do comando-e-controle. Uma fundamentação totalitária e que somente pode servir de fonte de inspiração àqueles dispostos a acreditar que os fins justificam os meios, mesmos que esses meios sejam a desumanização em seu grau mais elevado.

Na nossa transição para a Sociedade Digital Global as organizações que estão prosperando e avançando na direção da economia do conhecimento não seguem o modelo mental militar e hierárquico. Essas organizações, longe de se parecerem com exércitos, se assemelham muito mais a uma federação de comandos.

Essas organizações são como redes nas quais os nós se interligam por fluxos de informação. Seu crescimento se dá seguindo o modelo de uma rede de desenvolvimento auto-organizável. Um sistema que pode ser compreendido por um modelo mental muito mais complexo e infinitamente mais sofisticado que o tipo de organização militar burocrático idealizado por Sun Tzu. Por isso estas novas organizações são chamadas Organizações de Conhecimento.

Agora se você acha legal o Sun Tzu, se a leitura da Arte da Guerra o inspira a ser o executivo-ninja, isso é problema seu. Fique certo que você vai ter muitos problemas como líder na sua empresa para atrair e reter os talentos criativos capazes de fazer a diferença.

Não estamos mais jogando um jogo de soma zero, como nos tempos de Sun Tzu. Um jogo no qual quando alguém ganha, outro tem de perder. O novo jogo do tempo das organizações de conhecimento é o jogo da colaboração participativa. Um jogo onde a vitória acontece quando se maximizam os ganhos tanto individuais quanto coletivos.

Mais pra frente, na economia do conhecimento plena, os escritos de Sun Tzu cumprirão seu destino de tornar-se peça de museu e não ensinamentos para as gerações futuras. Serão vistos como um tipo de modelo mental perverso da história da humanidade. Tanto quanto o Mein Kampf de Adolf Hitler.

(*) É consultor de estratégia, autor de cinco livros, entre os quais se destaca a trilogia Renascença Digital – os desafios da construção da Sociedade Digital Global, que consta de Novo Mundo Digital; Tempo de Pensar Fora da Caixa e Ruptura. O propósito deste blog é apresentar provocações construtivas para ajudar a adaptar as empresas para a sociedade digital global.

Fonte: Coluna ‘Fora da Caixa’, da Época Negócios Online.

Por Abraham Shapiro*

Você tem um grupo de vendedores de bolos de porta em porta. O vendedor mais produtivo consegue vender 30 bolos por dia. O menos produtivo vende 6. Para qual dos dois você dedicaria mais tempo?

Algumas pesquisas apontam que os gerentes perdem mais de 70% de seu tempo tentando fazer pessoas não-produtivas produzirem. E a maioria dos funcionários  produtivos não recebe atenção suficiente. Por isso, não se sentem valorizados pela empresa e acham que não crescerão como desejam.

Se você ensinar aquele vendedor que vende 30 bolos por dia a vender 45, você o fez aumentar as próprias vendas em 50%. E acrescentou 15 bolos ao total vendido pela equipe. Se, no entanto, passasse esse tempo com o não produtivo e fizesse aumentar as suas vendas em 50%,  poderia tê-lo alavancado apenas de 6 bolos para 9, ou seja, somaria 3 bolos à venda total da equipe em vez de 15.

Então responde: “Vale a pena passar a maior parte de seus dias com gente não-produtiva?”

O que os gerentes de verdade precisam é simplificar, simplificar e simplificar, e não fazer o que fazem: complicar, executar várias tarefas sem foco, e complicar mais.

O que fazer? Para os funcionários não-produtivos, mantenha as coisas do modo mais simples que puder, enfocando apenas produção e resultados. Dedique cada vez mais tempo às pessoas produtivas, àquelas que estão procurando a nova fronteira que só você pode lhes ensinar a transpor.

Funcionários não-produtivos contentam-se com a manutenção do emprego. Eles veem problemas em tudo, e só falam desses problemas.  Parecem sentir prazer em contar longas histórias sobre suas tentativas que não levaram a nada. Eles não querem assumir a responsabilidade pelos resultados. Se podem vender o mínimo e ainda assim ficar no emprego, conseguiram o que querem.

O papel original de um gerente, portanto, deve ser: “Mostrar às pessoas de sua equipe que elas têm responsabilidade por seus resultados e pelo trabalho”. O segredo é administrar resultados, e não tarefas.

(*) É consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade.

Fonte: http://www.hsm.com.br/blog/.

Só é capaz de alterar a realidade quem já lidou com ela o suficiente para entender o que pode ser modificado.

Por Eugênio Mussak*

A empresa tinha estabelecido que a cultura de inovação deveria ser promovida e estimulada. É bastante sabido que as melhorias de processos, serviços e até de produtos vêm, principalmente, de sugestões dos funcionários, e não de um departamento responsável pela inovação.

Quando se espalhou a notícia de que ideias seriam bem-vindas e, mais que isso, valorizadas e premiadas, muitos funcionários deram asas à imaginação e começaram a aparecer propostas de melhoria, vindas de todos os setores da organização. “Está funcionando”, pensavam os diretores.

Foi quando o gerente, responsável por uma ilha de produção com cerca de 20 operários, foi procurado por um de seus subordinados com uma “ideia revolucionária”, segundo o próprio.

Se fosse aplicada, provocaria economia de tempo e de dinheiro, além de diminuir o risco de aparecerem falhas nos produtos.

O plano do gênio era, de fato, ótimo, ou melhor, seria, se não por um detalhe: para que funcionasse, era preciso alterar toda a linha de produção, inclusive as máquinas importadas da Alemanha, o que exigiria um investimento totalmente desproporcional.

- Obrigado pela sugestão – disse o gerente -, mas perceba que ela não se aplica a nossa realidade. Precisamos de ideias simples, práticas, que possuam ser implementadas rapidamente, sem muitos gastos. Infelizmente, não é o caso de sua proposta.

- Entretanto – continuou -, vamos aproveitar essa oportunidade. Tenho observado seu trabalho e percebo que você tem alguma dificuldade para se concentrar e concluir seu turno com eficiência. Sua disposição para sugerir mudanças é uma coisa boa, mas seria melhor se você, primeiro, fizesse bem o seu trabalho. Dificilmente, meu jovem, será aceito um projeto vindo de alguém que não faz nem o básico.

Grande lição, caro gerente. Inovação não vem do vazio. Há, pelo menos, duas condições prévias: o conhecimento e a experiência. Só é capaz de alterar a realidade quem já lidou com ela o suficiente para entender o que pode ser modificado e o que deve ser mantido. Inovar é necessário. Fazer bem o básico é fundamental.

(*) É professor do MBA da FIA e consultor da Sapiens Sapiens.

Fonte: Revista Você S/A (Editora Abril) – Ed. nº 163 – Janeiro/2012.

Por Adriana Gomes*

As pessoas crescem acreditando que, para ser alguém na vida, precisam ter uma profissão e dominar algum conhecimento técnico e prático aplicável. A percepção não parece clara quanto ao fato de que, na verdade, muito além da técnica, a vida profissional é uma vida de relações e isso implica no desenvolvimento de competências tais como:

• Perceber o outro, suas emoções, interesses e necessidades;
• Sensibilidade;
• Escutar o outro;
• Saber se comunicar com clareza e objetividade;
• Lidar com as diferenças;
• Saber negociar.

É fato que algumas dessas habilidades e competências estão entre as mais demandadas pelo mercado para profissionais em posição de liderança, mas são importantes para todas as pessoas. Muitos profissionais bem sucedidos trazem consigo esse repertório. Em certos casos, essas qualidades são tão intrínsecas à personalidade que fica difícil isolá-las do conjunto.

Como educadora e orientadora de carreira, percebo esses atributos como diferenciadores, mas também penso de que maneira seria possível ajudar muitos profissionais no desenvolvimento dessas habilidades, que certamente complementariam a formação técnica.
Entendo que existem profissionais mais focados em processos do que em pessoas, mas, até pensando no desempenho, investir algum tempo para refletir e agir no sentido de ser facilitador de relacionamentos transcende a relação profissional. Com pequenas atitudes, pode-se obter resultados excelentes, pois as pessoas gostam de se sentir percebidas, valorizadas, ouvidas, reconhecidas.

Em minha atividade, fico sempre surpresa ao escutar histórias de gestores truculentos, meio “ogros” e que, segundo alguns depoimentos, mantêm a equipe com terrorismo e assédio moral. Esses gestores nem se dão conta de que, na primeira oportunidade, perderão parte dos seus colaboradores, principalmente aqueles com maior potencial, que não sofrem de baixa autoestima e que têm consciência de que podem oferecer muito mais em um ambiente mais colaborativo.

É fácil perceber o que falta no outro ou mesmo reconhecer em quais aspectos o seu gestor, colega ou par poderia melhorar, mas o passo mais importante é tomar consciência dos aspectos que você precisa melhorar e/ou desenvolver para começar a fazer diferente.

(*) É coordenadora Acadêmica da área de Pessoas e do Centro de Carreiras na ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing.

Fonte: Blog HSM.