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Hoje, as empresas procuram por pessoas com o perfil de um Líder Constelação, ou seja, alguém capaz de oferecer a oportunidade para todos brilharem e se realizarem dentro do ambiente corporativo.

Por Eduardo Shinyashiki*

Por muito tempo os sistemas de liderança nas empresas eram vistos como caminhos a serem percorridos de forma solitária e o segredo para alcançar o sucesso esteve em uma postura individualista. Geralmente, as tarefas mais importantes ficavam concentradas em uma pessoa, como se ela fosse considerada a estrela central da companhia, um Líder Sol, o único com espaço para brilhar e receber os méritos pelos resultados obtidos. No entanto, ao assumir essa postura, o profissional se depara com o risco de seguir por uma trajetória sofrida e sem a produtividade necessária. Esse foi um dos fatores que fizeram com que as organizações passassem a adotar novas práticas de gestão e o trabalho em equipe ganhou muito mais valor.

Hoje, as empresas procuram por pessoas com o perfil de um Líder Constelação, ou seja, alguém capaz de oferecer a oportunidade para todos brilharem e se realizarem dentro do ambiente corporativo. Ao assumir o cargo, ele faz muito mais do que comandar a empresa, ele convida todos que estão ao seu redor para crescerem junto com ele. Isso permite que cada funcionário enxergue a sua real importância dentro da empresa e atue de forma alinhada aos seus princípios. O papel daquele que está no topo não é ser o único responsável pelos resultados, mas, sim, ter a capacidade de identificar as qualidades de seus profissionais e conseguir delegar as tarefas de acordo com o perfil de cada um, sempre com respeito e sensibilidade.

Foco no planejamento

Muito mais que um líder, é preciso ser um gerador de resultados, uma figura agregadora e estar atento ao ambiente criado para conseguir alcançar os objetivos. Além de traçar as metas, é necessário fazer uma análise dos cenários em que a empresa está inserida e propor que todos trabalhem em busca de resultados dentro da realidade.

Também é bom lembrar que existe uma grande diferença entre autoridade e poder. O autoritário é aquele que recebe da empresa a permissão para mandar nos funcionários, situação que pode mexer com o ego e a vaidade das pessoas. Já o poder surge por meio do reconhecimento pelo trabalho realizado e são os gestos de simplicidade que o evidenciam. O verdadeiro papel do líder é conseguir criar estímulos que possam modificar a vida dos profissionais que compõem a sua equipe. Aliás, uma das passagens do filme “Homem Aranha” expõe claramente essa ideia: “grandes poderes surgem com grandes responsabilidades”. Ou seja, a grandiosidade não aparece na vaidade, mas sim na ação das pessoas.

Mais do que um cargo, a liderança precisa ser vista de forma mais ampla e tem que ser exercida todos os dias, seja chamando para nós a responsabilidade pelo êxito, da empresa e daqueles que estão ao nosso redor, ou propondo novas dinâmicas que contribuirão com o sucesso da equipe. Desta forma, teremos condições de alcançar os resultados através de decisões tomadas com o pensamento no coletivo e não apenas no benefício próprio.

(*) É palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em desenvolvimento das competências de liderança e preparação de equipes.

Fonte: Portal Administradores.

“Um ponto muito importante que procuro trabalhar com todo mundo é a ação. Aquilo que você faz tem de ser absolutamente consistente com o que você fala.”

Roberto Setubal, presidente do Itaú

A meia-idade não assusta mais como no passado. Já é possível chegar aos 40 não apenas no auge da carreira, mas em plena forma física.

Por Daniela Diniz*

Há apenas uma geração, para a maioria das pessoas a chegada à meia-idade significava enfrentar uma situação paradoxal. Para os que conseguiam manter o emprego e a carreira em ascensão, o topo ficava bem próximo. Ao mesmo tempo, as condições físicas iniciavam uma trajetória decadente — um percurso especialmente acelerado no mundo corporativo, onde estresse e sedentarismo encontravam, e ainda encontram, um ambiente privilegiado. Passar do limite dos 40 quase sempre era uma experiência psicológica assustadora.

Esse quadro começa a mudar rapidamente — pelo menos para quem tem atitude. Pode-se passar dos 40 com a aparência e a disposição de quem ainda não superou os 35. Simples mudanças de hábitos, aliadas a avanços obtidos pela medicina, permitem conjugar o que antes era privilégio de poucos: o auge na produtividade profissional com o vigor da saúde.

A palavra mágica para fazer parte do time dos bem-sucedidos e saudáveis é prevenção. E, a julgar pela multiplicação dos consultórios, muita gente está empenhada em mudar hábitos antigos. Segundo o geriatra Clineu de Mello Almada Filho, da Universidade Federal Paulista, metade de seus pacientes está na faixa dos 30 aos 40 anos. “Eles nos procuram não por se considerar velhos, mas para continuar se sentindo jovens por mais tempo”, diz Almada Filho.

Foi o que ocorreu com o engenheiro paulista Everaldo França, de 44 anos, diretor da consultoria financeira PPS. Aos 30 anos, França foi à procura de um médico que pudesse acompanhá-lo pelo resto da vida e o ajudasse a prevenir os males trazidos pela idade. Na primeira visita ao geriatra, saiu com apenas uma receita de vitaminas. Com o passar dos anos, foi abreviando o intervalo entre um check-up e outro. Prestava mais atenção na alimentação e contava com um forte aliado: o handebal. Mesmo com uma vida agitada, trabalhando mais de dez horas por dia, ele não dispensava os treinos à noite. “Durante 20 anos, o handebal foi a minha válvula de escape”, diz França. “Além do prazer que sentia jogando, o esporte me livrou de alguns sinais típicos da meia-idade.”

Ele se refere ao acúmulo de gordura no corpo, aos problemas com colesterol e até à aparência de cansaço que muitos de seus amigos gradativamente passaram a exibir. Livrou-se também da falta de disposição para qualquer corridinha e da perda de energia no trabalho. “O corpo agüenta desaforo até certo ponto”, diz França. “Chega um momento em que ele cobra o preço do descuido e, então, não dá mais para se esquivar dos cuidados.”

Há maneiras, porém, de impedir que o corpo dê seus sinais de fadiga antes do tempo e de fazer com que os anos passem sem que as pessoas ao lado e o espelho apontem isso. As próximas linhas podem mostrar como prevenir os problemas que costumam nos acompanhar assim que cruzamos a fronteira dos 40 anos.

Bate, bate, bate, coração (colesterol, hipertensão e obesidade)

Vinte anos atrás, Marcos Moreira, diretor da consultoria Premier Marketing e Serviços, assistiu à morte do pai após uma tentativa de recuperar o coração com uma ponte de safena. O pai de Moreira já havia passado por uma cirurgia desse tipo sete anos antes. Mas o primeiro sinal de alerta não foi suficiente para mudar seus hábitos de vida. “Ele continuou fumante, sedentário e não se preocupava com a alimentação. Morreu aos 66 anos”, afirma Moreira, hoje com 48. Segundo ele, tudo que o pai passou serviu de referência para sua própria vida. “Não quero passar pelo mesmo e sei como evitar esse caminho”, diz.

As doenças relacionadas ao coração matam 160 000 brasileiros por ano, segundo o cardiologista Sérgio Timerman, da Fundação Interamericana do Coração. Uma predisposição genética aliada a maus hábitos alimentares é suficiente para aumentar o risco de um ataque cardíaco ou requisitar um controle do colesterol. No caso dos executivos, a cautela deve ser maior. “Ser executivo por si só já é um fator de risco”, diz Timerman. “Geralmente, ele se alimenta mal, vive estressado e não faz exercícios.” Preocupadas com isso, muitas empresas estão estimulando seus funcionários a cuidar da saúde e a manter a forma. Corporações como Pão de Açúcar, Nestlé e bancos como Santander e BankBoston mantêm academias em sua sede — o que proíbe os executivos de usar a falta de tempo como desculpa para o sedentarismo.

Para contribuir ainda mais, os exames que medem o risco de ter problemas do coração estão cada vez mais sofisticados. Até recentemente, bastava manter o nível de LDL (colesterol “ruim”) no sangue abaixo de 130 miligramas por decilitro para escapar da zona de perigo. Hoje, um cálculo baseado em fatores como idade, histórico familiar e pressão sanguínea permite estimar o risco de um infarto nos próximos dez anos. Segundo um estudo recente do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos, 37% dos americanos entre 45 e 64 anos apresentam taxas de colesterol elevadas — o dobro da proporção encontrada na faixa de 20 a 44 anos. Isso se deve também ao aumento do número de obesos nos últimos anos, que já somam 300 milhões em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Apesar dos números assustadores, é possível mudar esse quadro. “Existem apenas três fatores que não podemos mudar: idade, sexo e genética”, diz Timerman. “Em todo o resto, o homem pode interferir.” Moreira, por exemplo, largou o cigarro há mais de dez anos. Mudou os hábitos alimentares e há 12 anos pratica squash regularmente. Alguns problemas surgiram com o tempo, como dificuldade para enxergar de perto e dores musculares. Segundo ele, porém, a idade também trouxe compensações. “O arrojo e a ambição da juventude dão lugar à experiência e à maturidade”, diz Moreira. “Isso nos torna mais seletivos, exigentes e permite um sucesso mais fácil de ser alcançado.”

Espelho, espelho meu (rugas, mancha da pele, calvície e cabelos brancos)

Pode chamar de vaidade pura e simples. Mas quem, afinal, gosta de se olhar no espelho e ver aqueles malditos pés-de-galinha nos cantos dos olhos? Ou reparar que mais alguns fios de cabelos se perderam? Ok. É impossível — e talvez indesejável — fazer o tempo parar. Mas hoje muitas de suas marcas podem ser postergadas. As rugas estão entre elas. Comece mantendo a pele protegida dos raios solares, cuidando da alimentação (diminuindo principalmente amido e açúcar), equilibrando o estresse e fugindo do cigarro. Só a mudança no estilo de vida pode proporcionar alguns anos a menos na imagem do espelho. “Muitos pacientes pensam que rugas e manchas só aparecem por causa da idade”, diz a dermatologista carioca Luci Magalhães, dona de um consultório na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. “Na maioria dos casos, o problema não está na idade, mas na alimentação, no sol exagerado e no cigarro.”

Além dos cuidados preventivos, atualmente há inúmeras técnicas para aliviar as marcas que os anos deixaram na pele daqueles que não se cuidaram no passado. Entre os queridinhos dos vaidosos estão as injeções de toxina butolínica (mais conhecida como Botox). Há mais de uma década no Brasil, o Botox é usado para disfarçar sulcos na testa ou entre as sobrancelhas, suavizar linhas de expressão e até vincos na pele do colo – isso tudo sem ter de passar pelo bisturi, o que explica sua grande popularidade.

Apesar de livrar muita gente da mesa do cirurgião plástico e facilitar a vida de quem não tem tempo para se recuperar de uma cirurgia mais detalhada, a aplicação do Botox tem seus riscos. Como tem efeito de paralisar os músculos, se mal aplicada, a toxina pode limitar os movimentos do paciente.

O cuidado estético também deixou de ser visto como uma coisa das mulheres. “Muitos homens na faixa dos 50 anos vêm até a clínica para se sentir mais jovens”, diz Luci. “A principal preocupação deles é recuperar os fios de cabelo perdidos.” A clínica paulista Corplus atende uma média de 25 executivos por mês só para fazer transplante capilar. Segundo o cirurgião plástico Ricardo Lemos, da Corplus, a procura desse tipo de tratamento por executivos aumentou 20% nos últimos três anos. A boa notícia para eles é que a medicina também está avançando nesse campo: pesquisadores estão testando alguns tratamentos que combatam a calvície e que devem estar disponíveis em poucos anos.

Há quem considere importante manter a boa aparência mesmo para fechar um negócio. “A mulher executiva deve mostrar sempre uma imagem de sucesso”, diz Iêda Novais, de 52 anos, diretora da Mariaca e Associados, empresa paulista de recrutamento de executivos. Ao completar 40 anos, Iêda cercou-se de cuidados: adotou o uso diário de protetor solar, passou a fazer manutenção da pele com peeling ou esfoliação, usa cremes dermatológicos e diminuiu a quantidade de carne vermelha na alimentação. Além disso, há mais de dez anos tornou-se assídua jogadora de golfe. Aos 52 anos, Iêda trabalha das 7 da manhã às 6 da tarde (quando as reuniões não prolongam o expediente) e viaja a negócios pelo mundo sempre que necessário. “A maturidade só nos traz vantagens”, diz ela. “É sempre um desafio manter aquilo que você construiu. É só saber envelhecer de acordo com o ritmo do corpo.”

Mulher de fases (menopausa, osteoporose)

A psicóloga paulista Marisa Baltazar havia acabado de completar 43 anos quando entrou na menopausa. “Imediatamente iniciei o tratamento com reposição hormonal”, diz ela, hoje com 49 anos. “Depois de um mês já senti melhoras físicas e psicológicas.” A opção de Marisa seria muito mais popular se as terapias de reposição hormonal — conhecidas como TRH — não estivessem envoltas em controvérsia. A maior ameaça está no aumento do risco de câncer de mama.

Segundo o oncologista gaúcho Bernardo Garicochea, coordenador do serviço de aconselhamento genético do hospital Sírio Libanês, de São Paulo, os estudos mais recentes comprovam maior incidência de câncer em mulheres que fazem a reposição, mas não um aumento da mortalidade. Por esse motivo, na maioria das vezes a reposição é, sim, o melhor remédio.

A alimentação pode ser também uma aliada nessa fase. A inclusão de soja no cardápio feminino pode diminuir significativamente os sintomas mais comuns do período. Enquanto 80% das mulheres americanas e brasileiras sofrem com os sintomas da menopausa, apenas 18% das asiáticas passam pelos incômodos. A explicação para isso está nos hábitos alimentares. Alguns estudos mostram que o consumo de 20 a 40 gramas de soja por dia pode cortar os típicos calores que as mulheres passam nessa fase.

Saber o que comer também pode livrar as mulheres de um fantasma que vem aparecendo mais cedo na vida delas: a osteoporose. Vinte anos atrás, a doença era uma preocupação apenas para quem passava dos 60 anos. Hoje, com o número maior de mulheres que trabalham fora e são sedentárias, a osteoporose está chegando mais cedo. A psicóloga Marisa, por exemplo, identificou a doença aos 43 anos. “Estava com idade óssea de 65″, diz ela. “Tive de mudar a alimentação, acrescentando derivados de cálcio no cardápio, e incluir caminhadas na minha rotina.”

O mal é um problema de saúde pública nos Estados Unidos. Segundo a Fundação Nacional de Osteoporose, 44 milhões de americanos sofrem da doença (30 milhões deles são mulheres). No Brasil, estima-se que 10 milhões sofram da doença. “A melhor prevenção é manter uma alimentação rica em cálcio e fazer exercícios físicos”, diz o ginecologista Rogério Machado, professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí, no interior de São Paulo. “Uma recomendação que pode ser seguida bem antes de se chegar à casa dos 40.”

Vencendo o tabu (câncer de mama e de próstata)

Os avanços da medicina estão encorajando uma mudança de postura em relação a doenças e hábitos encarados como tabus. É o caso do câncer. Atualmente, os médicos estão recebendo muito mais pessoas interessadas em saber antecipadamente da possibilidade de desenvolver tumores. “Há 20 anos, 75% dos casos de câncer de próstata diagnosticados eram incuráveis”, diz o urologista Sami Arap, professor da Faculdade de Medicina da USP. “Agora diagnosticamos 80% dos cânceres como curáveis.” Segundo Arap, por ser uma doença assintomática, o câncer de próstata (incidente sobre 2,7% dos homens) muitas vezes era detectado quando já não havia mais chance de cura. Hoje, com um simples teste de sangue (o PSA) é possível saber se o paciente faz parte do grupo de risco. E a medicina promete mais. Nos próximos cinco anos, com apenas uma picada no dedo os médicos poderão não só identificar a predisposição de o paciente vir a ter câncer de próstata como também saber qual o possível grau do tumor. Isso poderá livrar muitos homens de ter de sujeitar-se ao temido exame de toque retal (ainda fundamental para os que passaram dos 50 anos).

Para as mulheres também há boas notícias no campo da detecção de tumores de mama (mal que acomete 7% das brasileiras). Além de exames convencionais, como mamografia e ultrassonografia, alguns médicos vêm recomendando um exame de DNA para pacientes que apresentam casos da doença em parentes próximos. Por meio do exame, é possível verificar (com antecedência) se há risco de desenvolver a doença e se é necessário colocar a paciente sob vigilância. Os avanços não devem parar por aí. Nos Estados Unidos, o laboratório Eli Lilly está testando a raloxifene, droga para combater a osteoporose que poderá também diminuir o risco de câncer de mama. “Quando uma paciente não se cura totalmente, procuro fazer com que ela tenha a melhor qualidade de vida possível”, diz Garicochea, do hospital Sírio Libanês. “Afinal, em pouco tempo pode surgir um tratamento mais eficaz.”

Enquanto isso não acontece, a recomendação é fazer exames preventivos. E não deixar de seguir os conselhos exaustivamente repetidos pelos médicos: não fumar, manter uma boa alimentação e praticar atividades físicas. A qualidade de vida, agora, e no futuro, depende basicamente de atitude.

(*) É jornalista e editora da revista Você RH (Editora Abril).

Fonte: Portal Exame.

 

Coincidência? Não, sincronicidade.

Por Rique Nitzsche*

A Forbes é uma revista quinzenal e também uma empresa de mídia que oferece “informação para os líderes mundiais dos negócios”. A Forbes se intitula “a ferramenta capitalista” e está no mercado desde 1917. Sua concorrente próxima é a Fortune, uma revista de negócios global fundada em 1930 e editada pela Time Inc. A Fortune é conhecida por publicar a lista das maiores empresas do mundo, das mais admiradas e das melhores para trabalhar. Ambas as revistas são referências confiáveis para os administradores do universo dos negócios.

No primeiro dia de maio de 2012, o site da Forbes publicou um artigo da escritora Jeanne Liedtka. No dia seguinte, o site da Fortune apresentou um artigo do autor Saul Kaplan. Ambos os artigos abordavam um assunto que, cada vez mais, está presente no mundo moderno dos negócios, uma metodologia chamada design thinking. Não é coincidência, uma ocorrência casual de fatores. O design thinking vem sendo reconhecido pela mídia dos negócios. Até pelas mais conservadoras.

Porém, outras publicações americanas de negócios abriram espaço para o design thinking há tempos. A BusinessWeek, agora rebatizada de Bloomberg Businessweek, abriu sua capa em maio de 2004 para dois designers de meia idade sob o título “O Poder do Design” e com uma chamada apontando a IDEO como uma empresa que criava experiências inéditas e ajudava seus clientes a inovar.

A FastCompany, a revista dos novos negócios, publicou em março de 2006 um artigo com o título de “Design Thinking, o que é isso?”. O autor, Mark Dziersk, afirma que a metodologia do design thinking é um protocolo que qualquer negócio ou profissão pode usar para alcançar extraordinários resultados. Sua memória pula até seu professor do colégio, cuja paixão pelo design prendia a atenção dos alunos. Dziersk não esquece a convicção das suas palavras: “qualquer área profissional – medicina, advocacia, coreografia ou política – pode se beneficiar empregando o design thinking para obter melhores resultados”. Dziersk entende que o ambiente dos negócios demorou para aceitar o potencial da hipótese do seu professor.

Em junho de 2008, o design thinking é chamada de capa de uma publicação de negócios, a Harvard Business Review. Tim Brown, CEO da IDEO, escreveu um artigo explicando a metodologia e termina a matéria com um exemplo real. A metodologia do design thinking ajudou o Bank of America a criar um programa de poupança chamado “Fique com o troco”. Resultado do projeto: em menos de um ano, o número de clientes cadastrados superou cinco milhões de pessoas que pouparam mais de US$ 500 milhões. O design thinking identificou um aspecto do comportamento humano e converteu-o em benefício para os clientes do banco e em valor da marca.

Então, vamos ver o que esses dois artigos bem recentes têm a dizer.

Comecemos pelo artigo que foi publicado no Dia do Trabalho. Sua autora, Jeanne Liedtka, é especializada em pensamento estratégico, inovação, design e liderança, além de aprendizagem corporativa através de processos criativos. Ela é autora do livro “Designing for Growth”, lançado em 2011 pela editora da Escola de Negócios de Colúmbia, USA. O livro é dedicado a ensinar a prático do design thinking para administradores de negócios em geral.

O título do artigo é “Projetando para o Crescimento. Apple faz isso, então você pode.” Liedtka diz que as pessoas olham para a experiência da Apple e imaginam Moisés separando as águas do Mar Vermelho com seu poderoso bastão. Os mortais comuns podem atravessar as águas construindo uma ponte. Vamos parar de fantasiar e projetar a nossa própria ponte. Design thinking não é uma operação mágica, mas uma prática para criação de valor traduzido em aplicações reais no mercado para impulsionar o crescimento. Não exige poderes sobrenaturais porque é uma abordagem sistemática focada e interativa, mas que necessita de criatividade.

“O processo de pensamento de design começa com a coleta de dados.” Design thinkers fazem isso através de métodos etnográficos, como mapeamento da experiência do usuário. Mais adiante, no processo, concretizam suas ideias criativas na forma de protótipos com foco na hipóteses diferenciadas. Ao invés de usar dados analíticos para justificar uma nova ideia, ou usar métricas já existentes, as hipóteses criativas são testadas na realidade gerando outras métricas comportamentais, permitido um processo iterativo(**) contínuo de valores melhorados a cada teste.

Usando a empatia, busca de padrões de comportamento e geração de insights, os design thinkers podem parecer caóticos ou carentes de racionalidade. Mas, na verdade, o processo chega a ser chato porque é uma sequência de passos: explorar as necessidades atuais, sintetizar o aprendizado em insights e padrões, e gerar protótipos para testar essas ideias no mercado. Porém Liedtka adverte que o processo pode ser irritante e confuso para um gerente tradicional e controlador. Se o processo parece ser imprevisível e desordenado é porque ele aceita a ideia que é um processo humano sujeito à ambiguidade e incerteza.

O processo do design thinking enfrenta os problemas humanos de frente. Aceita-se a ideia de que não estamos diante de um quebra-cabeças que só tem uma solução. Entendemos que os problemas são capciosos e com muitas variáveis e muitos stakeholders. Não se tenta domesticar os problemas, mas vivenciá-los para criar novas hipóteses que serão testadas. Aceita-se o mistério humano.

O artigo síncrono da Fortune também é de um escritor para empresários, no caso o livro “The Business Model Innovation Factory”, recém lançado em abril de 2012. O subtítulo é “como permanecer relevante quando o mundo está mudando”. Saul Kaplan é o fundador da Fábrica de Inovação Empresarial e muito bem recomendado – pelos escritores Daniel H. Pink e Alex Osterwalder e pelos autores, editores e co-fundadadores da revista Fast Company, William C. Taylor e Alan M. Webber.

O artigo de Kaplan conclama o poder do design thinking, que é muito mais do que produzir produtos sensuais. Kaplan diz que a inovação dos modelos de negócios e dos processos de trabalho permitem uma conquista de valor muito maior. Ele exorta as pessoas a acreditar: “sejam formadores de mercado, ao invés de seguidores”. Não é mais necessário afirmar que o design thinking é uma prioridade. Vamos parar de falar para começar o trabalhar na mobilização de novos modelos de negócios. É hora de ação.

“Precisamos de designers mais loucos focados na experiência do cliente e inovação do modelo de negócio.” Se você não tem um talento em design thinking na sua empresa, você está cometendo um erro. Se você está esperando um longo plano de negócio com uma análise financeira detalhada, você está perdendo tempo. Você precisa mais do que a metodologia científica tradicional. Você precisa de cientistas e designers loucos, de uma apaixonada exploração, de uma combinação de talentos, de uma poderosa narrativa para criar novos modelos de negócios. Precisa-se tentar mais coisas. Design thinking e pensamento analítico, criatividade e método científico não são mutuamente exclusivos. Precisamos de ambas as abordagens para projetar novos sistemas para acertar um caminho novo. Pode parecer confuso, mas é necessário.

Não fiz uma tradução literal dos textos. Extrai o conteúdo das duas mensagens misturando tudo com a minha experiência profissional como design thinker. Mas, pensem em uma coisa. Por que as duas tradicionais revistas de negócios publicaram os artigos quase simultaneamente? Porque o assunto está quicando pela sala da editoria. Porque se precisa, com urgência, de novas formas de resolver os problemas que se tornaram doenças estruturais crônicas. O mundo está em crise. Os negócios estão em crise. Está na hora de experimentar novas formas de enfrentar os problemas.

(*) É design thinker com 18 anos de experiência em design thinking, diretor de criação da AnimusO2, especialista em inteligência em Shopper Marketing, mais de 100 prêmios no mercado nacional, editado em mais de 30 publicações no exterior, professor responsável pelas cadeiras de Design Estratégico e Design Thinking da pós-graduação da ESPM-RJ, criador do d.think que oferece cursos intensivos de Design Thinking.

(**) É um processo de solução para uma operação ainda não resolvida, no qual o resultado final é o somatório de diversas e sucessivas operações com variáveis controladas. Cada tentativa revela dados para a correção da tentativa seguinte.

Fonte: Portal Administradores.

Afinal, os trabalhadores são mesmo tão importantes para as organizações?

Por José Emídio Teixeira*

É avassalador e recorrente o discurso de executivos de empresas, diretores de recursos humanos e consultores organizacionais a respeito da importância das pessoas para as empresas. Todos cantam hinos de louvor aos feitos e competências dos trabalhadores. Enumeram, sem economizar palavras e frases de efeito, as vantagens das organizações que tratam bem seus empregados, além de recomendar como as lideranças corporativas devem gerenciar melhor suas equipes.

O tema é constantemente retomado em artigos nos jornais e revistas de negócios, bem como em seminários, congressos especializados e pesquisas de clima. Livros são publicados todos os anos no Brasil abordando liderança, clima organizacional, ambiente de trabalho, comunicação e outros.

Ao se considerar a quantidade de horas de treinamento sobre os mesmos temas às quais as empresas submetem seus líderes de todos os níveis, e a quantidade de programas de administração ofertados pelas boas universidades – que têm razoável carga horária dedicada à gestão de pessoas – pode se dizer, sem risco de errar, que se dependesse de informação, leitura, formação e recomendação recebida pelos gestores, os trabalhadores de todos os níveis deveriam estar saturados de serem constantemente muito bem tratados.

Quando se mergulha na realidade da maioria das empresas, o que se encontra é um quadro muito diferente. O discurso não é seguido na prática. Ninguém está satisfeito: trabalhadores, líderes e patrões. Cada um tem alguma reclamação a fazer.

Os patrões reclamam dos custos. Acham que pagam muito pela contribuição dos trabalhadores. Julgam que as convenções e acordos coletivos são generosos demais e que é preciso negociar de forma mais dura na data base. Os gerentes gostariam de ter mais produtividade e comprometimento. Acham que os trabalhadores não entendem a necessidade das empresas serem mais competitivas para enfrentar a concorrência externa.

Por sua vez, os trabalhadores acham os salários baixos, os benefícios insuficientes e têm sérias restrições à organização, aos processos e horários de trabalho. Querem ser mais ouvidos, reclamam da falta de informações, acham que os chefes só se lembram deles na hora de exigir mais.

Quando se examina isoladamente as posições de cada grupo, aparentemente, todos têm razão, mas a equação não fecha porque os recursos são limitados, os interesses diferentes e há pouco diálogo entre os atores sociais. Não há quem tome a iniciativa de buscar um caminho que sirva aos interesses comuns, um processo em que todos contribuam para alcançar os resultados e compartilhem os benefícios.

Se os trabalhadores são realmente tão importantes para as empresas, já passou da hora de buscar uma forma de conciliar interesses de patrões e empregados, dos gerentes e suas equipes. As empresas deveriam propor aos trabalhadores um novo contrato social, em que estes últimos entrem com produtividade e comprometimento e os patrões e gerentes retribuam com remuneração justa, respeito e participação nos resultados. Além disso, o diálogo deve ser escolhido como o meio de resolver as diferenças, contribuindo de forma decisiva para garantir a sustentabilidade dos resultados e das relações de trabalho.

(*)  José Emídio Teixeira é diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos – São Paulo (ABRH-SP).

Fonte: Portal da Revista Você RH.

Veja onde estão os maiores problemas.

Por: Viviam Klanfer Nunes*

Como ser feliz no trabalho? Sem dúvida, você já deve ter se feito tal pergunta em algum momento da sua vida profissional. A resposta, porém, não é tão complicada quanto se imagina.

Primeiro, deve-se identificar os aspectos da profissão, do emprego e da carreira que o fazem se sentir preocupado, desmotivado e insatisfeito e atuar neles. Nessa análise, você verá que a remuneração, sempre entre as principais preocupações dos trabalhadores, não é o elemento fundamental.

Para nos ajudar nessa análise, a equipe InfoMoney contou com a ajuda da consultora de planejamento de carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Karla Oliveira, que elaborou uma lista de elementos que devem ser observados para se alcançar o máximo de felicidade no trabalho:

Qualidade de vida – antes de mais nada, é preciso entender que a felicidade no trabalho não está relacionada apenas ao que acontece enquanto você está realizando suas atividades na empresa. “Se a pessoa não tem uma vida saudável, está sempre com problemas de saúde, e isso vai afetar diretamente sua felicidade no trabalho”, diz Karla.

Vida pessoal - na mesma linha do item anterior, se a sua vida pessoal estiver cheia de problemas, você dificilmente conseguirá deixá-los em casa, quando estiver trabalhando. Aqui também entra a questão do orçamento. “Se o profissional estiver cheio de dívidas, sem conseguir pagar as contas ao final do mês, ele vai ficar constantemente perturbado com essas questões, o que consequentemente afetará sua felicidade”, avalia Karla.

Estabeleça limites – alguns dos maiores problemas que impedem a felicidade no trabalho nem sempre podem ser resolvidos pelo próprio profissional, porque são questões que dependem do comportamento de outra pessoa. Chefes intransigentes, inflexíveis e rígidos demais normalmente causam grande infelicidade aos seus subordinados.

Segundo Karla, nessa situação, o profissional tem, basicamente, dois caminhos. Primeiro, ele deve tentar reverter a situação, tendo uma conversa clara e objetiva com o líder. “Tem que ser uma conversar franca. Ainda o profissional tem que expor sua visão baseado em bons argumentos. Se ele for evasivo na conversa, possivelmente terá dificuldades para resolver os problemas”, explica Karla.

Nessa conversa, o profissional deve estabelecer limites no relacionamento, ou seja, deixar claro até que ponto o tratamento do chefe não está sendo coerente com uma postura profissional. Caso a conversa não surta o efeito esperado, passa a ser interessante encontrar outro setor, outra área ou até mesmo outra empresa. Mas lembre-se: nem sempre o problema é o chefe. Veja se não é você mesmo que está gerando os problemas.

Crie um ambiente agradável - mas não é só o chefe que pode causar infelicidade. Uma equipe composta por membros que não sabem respeitar o espaço do outro, por exemplo, vai tornar a situação muito difícil. Os profissionais devem, porém, tentar conviver da melhor maneira possível com seus pares.

Para construir um ambiente saudável, porém, todos os membros devem colaborar. A dica aqui é ser flexível, humilde, aceitar a opinião do outro, ser otimista e tentar ser companheiro. “É sempre interessante se colocar no lugar do outro”, diz Karla.

Mas, ainda assim, se você tiver feito de tudo para criar um ambiente agradável, mas os demais profissionais não colaborarem, vale a pena considerar encontrar outra posição.

Tenha foco - definir objetivos, elaborar um bom plano de carreira, correr atrás de desafios e ter foco no trabalho ajudam na felicidade. Isso porque esses são elementos altamente motivacionais. “Quando você está motivado e sabe aonde quer chegar, é mais difícil se perder ou ficar sem direcionamento, ficando, desta forma, menos vulnerável”, analisa Karla.

Karla entende que felicidade no trabalho é algo bastante subjetivo e deve ser trabalhada de forma constante. “Se a pessoa for persistente, procurar atuar naquilo que gosta, souber trabalhar em equipe e se conseguir se automotivar, as chances de ser feliz são grandes”, avalia Karla.

(*) É jornalista na InfoMoney.

Fonte: InfoMoney.