CABEÇA QUENTE, MELHOR DESEMPENHO

Na dose certa, a preocupação pode trazer grandes benefícios.

Se a preocupação faz parte do universo humano de forma tão marcante, pode ter também uma função positiva. O psicólogo Graham Davey, pesquisador da Universidade de Sussex, Inglaterra, foi um dos primeiros especialistas a sugerir esse potencial útil. Em um estudo de 1994, Davey explorou várias decorrências dessa tendência natural; por meio de entrevistas descobriu que, embora a aflição possa piorar as coisas, para várias pessoas esse estado pode ser construtivo e motivar a resolução de problemas e até mesmo reduzir a ansiedade.

Pesquisas mais recentes apoiam a ideia de que níveis elevados de preocupação podem melhorar o desempenho. Em 2005, a psicóloga Maya Tamir, então da Universidade Stanford, mostrou que, de fato, a preocupação dos alunos antes de passarem por um teste cognitivo ajudava os mais tensos e instáveis emocionalmente a ter resultados melhores. Já o nível de aflição anterior não afetou a experiência para os participantes mais centrados. De forma geral, estes enfrentaram os desafios de forma mais tranquila.

Especialistas suspeitam que, em muitos casos, a preocupação pode não só beneficiar o desempenho como ainda incentivar a ação. Um estudo de 2007 publicado no periódico Cognition and Emotion revelou que os fumantes podem ser mais propensos a ser convencidos a desistir do cigarro quando se preocupam com os riscos. Os resultados promissores estimularam os autores do estudo a sugerir estratégias mais eficazes, como ter médicos lembrando as pessoas dos pontos negativos, capitalizando a relação entre motivação e preocupação para incentivá-las a largar o fumo.

Embora seja difícil traçar a linha precisa entre a preocupação saudável e a aflição prejudicial, Michel Dugas, psicólogo da Universidade Concórdia, em Montreal, costuma descrever essa situação como uma curva de sino, na qual os níveis moderados estão associados à função em sua manifestação saudável; já os excessivamente preocupados se vinculam ao declínio no desempenho.

A pesquisadora Christine Calmes, que desenvolveu um trabalho de pós-doutorado no Capitol Mental Illness Research, Education and Clinical Center, em Baltimore, acredita que as pessoas bem-sucedidas obedecem a uma escala um pouco mais alta em termos de preocupação. Em sua opinião, desde que a aflição não tire o melhor de alguém (como sua lucidez, por exemplo), ela pode ser benéfica. Ou seja, o segredo está na forma como as pessoas lidam com a situação: se a preocupação as motivar a trabalhar com mais atenção aos detalhes sem paralisá-las ou roubar lhes a saúde, então certamente é positiva.

Fonte: Mente Cérebro Online – Notícias.

CARNAVAL E TRABALHO: A DIFERENÇA ESTÁ EM FAZER O QUE SE GOSTA

Quando estamos em um emprego ou profissão que não gostamos, passar o dia é um martírio e quase tudo é motivo para stress e insatisfação. Isso tem pouco a ver com dinheiro e sim com a falta de aptidão para aquela tarefa.

Por Eduardo Ferraz*

Há alguns anos, o publicitário Júlio Ribeiro disse, meio brincando, que provavelmente as melhores empresas para se trabalhar no mundo eram as grandes escolas de samba, pois sempre havia centenas de candidatos por cada vaga para desfilar.

O interessante é que nessa história há um fundo de verdade. Tem muita gente que se mata o ano todo para desfilar no Carnaval. Durante meses a pessoa vai a todos os ensaios, nunca se atrasa, dedica-se ao máximo, trabalha de madrugada, compete para ser posicionado nas alas mais destacadas, gasta do próprio bolso em fantasias, colabora com os outros departamentos, canta o samba enredo com emoção e não recebe um centavo por todo esse trabalho!

Tudo isso para desfilar por uma hora! Esperam angustiados o resultado da votação e quando a escola perde choram por dias e quando ganha comemoram como se tivessem ganho na loteria.

Muitas dessas mesmas pessoas não têm a mesma dedicação em seu trabalho formal. Fazem para o gasto, chegam atrasadas e não se preocupam se a empresa está indo bem ou mal.

Por que isso acontece? Porque no primeiro caso elas estão automotivadas! Fazem esse esforço por que querem, sem ninguém mandar e dão o melhor de si.

Quando estamos em um emprego ou profissão que não gostamos, passar o dia é um martírio e quase tudo é motivo para stress e insatisfação. Isso tem pouco a ver com dinheiro e sim com a falta de aptidão para aquela tarefa.

Por isso, o ideal seria procurar profissões onde haja prazer em executar as principais atividades relacionadas a ela. Isso só vai ocorrer se você trabalhar em áreas onde seus principais talentos podem ser aproveitados ao máximo para você se sentir realizado. A remuneração, o aprendizado e o reconhecimento virão como consequência.

(*) É consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultoria “in company”, com aplicações práticas da Neurociência comportamental. Possui mais de 30.000 horas de experiência em empresas. É pós-graduado em Direção de Empresas pela PUC-PR e especializado em Dinâmica de Grupos pela SBDG. Autor do livro “Por que a gente é do jeito que a gente é?”, da Editora Gente.

Fonte: Portal Administradores.

NÃO IMITE GISELE E EVITE SE METER NA CARREIRA DO PARCEIRO

Não tome Gisele Bündchen como modelo ao se envolver na carreira do parceiro.

Por Heloísa Noronha*

Muitas mulheres se empenham tanto em apoiar seus amados que acabam atrapalhando a vida profissional deles. Recentemente, Gisele Bündchen protagonizou uma cena que não serve de exemplo. Na final do campeonato Super Bowl, ao comentar a derrota do New England Patriots, time de futebol americano em que seu marido Tom Brady joga, a top irritou a equipe do atleta e levou a fama de intrometida. Chateada com o placar final, a modelo reclamou que Tom “não poderia lançar e pegar a bola ao mesmo tempo”, dando a entender que ele não contara com a ajuda dos colegas e, por isso, não saiu vitorioso.

Quando se trata de uma modelo como Gisele, é claro que tudo vira notícia e ganha proporções maiores. No entanto, o comportamento não é exclusividade dela. Segundo Izabel Failde, psicóloga e consultora organizacional, muitas vezes, a mulher interfere por não conseguir ter uma visão imparcial da vida profissional do marido.

“Vamos supor que ela reclame da sobrecarga de tarefas do parceiro, que vem chegando tarde todas as noites em casa, e exija uma mudança de atitude. Só que o expediente abusivo pode ter inúmeros motivos. Inclusive, ser apenas responsabilidade dele ou de toda uma equipe”, diz. “Culpar somente os demais é sinal de imaturidade.”

Controladoras

Para a terapeuta comportamental e neurolinguista Branca Barão, mulheres muito ciumentas e possessivas também podem representar um entrave na carreira de maridos que costumam viajar a trabalho ou que fiquem muitas horas na empresa. “Quem é muito dominadora tem uma tendência a não aceitar que o sucesso do marido não dependa dela”, explica. Como é impossível se intrometer totalmente no trabalho em si, elas passam a boicotar as situações sociais que costumam envolver o emprego, impedindo o sujeito de participar de festas de aniversário, “happy hours” e outros tipos de comemorações.

Em geral, essas mulheres apresentam baixa autoestima e sentem-se desvalorizadas perante as amizades do escritório –principalmente, as do sexo feminino. “Como forma de retaliação, começam a armar brigas em casa por motivos banais, comprometendo a vida conjugal”, explica Branca.

A superproteção feminina também pode ser nociva para a relação. “Não há nada pior do que, em um evento social ligado ao trabalho, a mulher que aproveita a oportunidade para sondar o que acontece na rotina profissional do parceiro ou que dá indiretas sobre aumento de salário e promoção”, afirma Izabel Failde. Além de a mulher ganhar fama de chata e inconveniente, não é raro que o homem seja tachado de submisso, frágil e medroso.

O que fazer?

Tom Brady preferiu manter distância da polêmica, não dando razão à mulher nem alimentando o assunto. Apenas comentou a derrota para os Giants de forma elegante: “Eles jogaram muito mais do que nós”. Assim, conquistou a solidariedade dos torcedores de seu time e de seus colegas de trabalho.

O parceiro que tem uma mulher intrometida ou superprotetora pode optar por essa postura. No entanto, se a mulher for do tipo carente, existem outras maneiras de transformar a intromissão em algo positivo. Às vezes, tudo o que essas parceiras precisam é se sentirem incluídas nos planos e projetos do marido. Assim, elas não acharão que estão sendo trocadas pelo trabalho. Segundo Branca, se a mulher perceber que é importante na vida do parceiro, o problema tende a desaparecer.

“O homem pode, claramente, pedir a ajuda dela dizendo: ‘olha, preciso que me compreenda, que colabore comigo, para que eu possa me dedicar a esse momento tão importante para nós’. E a palavra nós é essencial nessa conversa”, exemplifica Branca.

(*) É jornalista e colaboradora do UOL.

Fonte: Portal UOL.