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Profissionais querem mais do que remuneração e benefícios.

Por Thais Aiello*

Dinheiro não é tudo, e os benefícios fazem parte do pacote que se espera das organizações. O que, então, move os profissionais mais disputados em suas decisões de mudar de emprego ou permanecer na empresa em que estão? A proposição de valor da companhia, estruturada de forma a explicitar aspectos intangíveis, vai ganhando forma e intensidade no contexto corporativo atual. “O Brasil dispõe hoje de uma força de trabalho mais bem qualificada, mais exigente e com expectativas que vão além da remuneração, o que demanda abordagem mais sofisticada e robusta na gestão de talentos”, observa João Lins, da PwC Brasil. Criar uma proposta de valor, segundo a pesquisa “Tendências em Capital Humano”, da própria PwC, desponta como fator essencial para atrair e reter os melhores, mantendo vivo o comprometimento das pessoas.

(*) É jornalista, responsável pelo Painel Executivo das revistas Exame e Você S.A. (Editora Abril).

Consultoria: palavra cada vez mais usada no mundo corporativo ou em outras áreas. Nunca se falou tanto em consultores.

Por Abraham Shapiro*

Em primeiro lugar, há uma pressuposição de que consultoria dá dinheiro – o que é um engano. Em segundo, um crescente número de recém-diplomados  ou cerificados em um MBA, enxerga que as empresas são e estão desorganizadas, e que precisam dar conta de uma demanda de consumo que jamais existiu neste país. Isto configura uma oportunidade.

Mas assim como as igrejas proliferam mais em países onde a cultura geral do povo é baixa, com a finalidade de vender felicidade, prosperidade e salvação, muitas consultorias vestem roupagens visualmente  perfeitas, mas seu conteúdo não passa de efeitos especiais, como em filmes de ficção.

Existem basicamente dois tipos de consultoria – a consultoria de sintomas e a consultoria de causa.

O que faz a consultoria de sintomas? Trata dos problemas como se configuram aparentemente. Cobram uma fortuna por isso, deixam a empresa com a sensação enganosa de que o messias passou por lá e de que “todos os problemas acabaram”. Os empresários acreditam na mágica. Mas, passado um tempo, um problema maior que o primeiro vem à tona. Sim, pois, só os sintomas foram tratados.

Já a consultoria de causa atua diferente. O que faz? Primeiro conhece o problema. Depois, busca as causas E então, trata destas causas até que sejam eliminadas.

Se alguém tem dor de cabeça e vai ao médico que trata sintomas, sairá com a receita de um remedinho que trará conforto momentâneo. Após tomá-lo, ficará contente e talvez fará elogios à rapidez com que sua dor foi “resolvida”. Já, se esta pessoa for a um médico profissional, ele não irá receitar nada sem antes averiguar se a causa desta dor não é muito mais complexa – podendo ser algo grave como tumor cerebral. A mesma diferença ocorre em consultorias.

Uma empresa despreparada ou inepta se encantará mais pela consultoria de sintomas. Ela se ilude com a solução rápida dos problemas. É por isso que esse tipo de consultor cobra caro pelo seu trabalho, pois, consegue afastar os obstáculos aparentes. Na verdade, a raiz do problema continua lá e em breve o fará voltar com nova identidade e maior força.

As empresas estruturadas buscarão o consultor de causa para resolver suas necessidades. Esta consultoria ataca os fatores geradores dos problemas e, ela atuará utilizando princípios. O mal deste modus operandi é que poucas empresas creem em princípios. Geralmente, princípios são bons para os outros, nunca para si mesmo.

Qual das duas você escolhe?

Agora, se você contrata uma consultoria através de um guia telefônico, artigo de revista ou propaganda, sua situação é mesmo infernal. O trabalho de um consultor só é validado pelas referências positivas que ele realizou antes. Sem que você saiba o que ele já fez, conseguir resultados será um prêmio de loteria. Quer apostar? Bem, o azar é todo seu!

(*) É consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade.

Fonte: Blog Profi$$ão Atitude.

Opinião do blogueiro:

A vida e a atividade profissional me ensinaram que consultor muitos podem ser, o difícil é ser consultável. Simples assim!

Albírio Gonçalves.

Perda de profissionais foi o maior problema enfrentado pelas empresas no ano passado.

Criar alternativas para reter funcionários é o principal desafio dos profissionais brasileiros de recursos humanos para este ano. A constatação foi feita pela Robert Half, empresa de recrutamento especializado, que ouviu 165 executivos da área.

Em 2011 a perda de profissionais foi o problema número um dos RHs. De acordo com a pesquisa, 20% deles encararam de frente esse dilema, seguido pela falta de participação do RH na agenda estratégica da empresa (19,5%) e política de remuneração e benefícios inadequada (18,6%). Pensando nisso, 47% dos entrevistados dizem que concentrarão seus esforços em programas de retenção ao longo de 2012.

Por que eles perdem profissionais?

Para 20% dos RHs entrevistados, a principal queixa dos colaboradores é a falta de perspectiva de crescimento na empresa. Existe ainda uma reclamação quanto aos salários defasados, segundo 18% dos executivos.

Numa segunda etapa da pesquisa, a Robert Half ouviu 1 400 profissionais do mercado de trabalho, dos quais mais da metade aceitaria uma proposta para trabalhar numa empresa concorrente. A aceitação aumenta para 73% quando a proposta vem de uma instituição não concorrente. Falta de perspectivas de crescimento na empresa e falta de oportunidades de desenvolvimento foram as principais insatisfações declaradas pelos colaboradores em relação às práticas de RH.

De acordo com Fernando Mantovani, diretor da Robert Half no Brasil, os três grandes problemas do RH estão na contratação, retenção e qualificação dos profissionais. Para ele, esses problemas devem permanecer os mesmos na próxima década.

A realização dos grandes eventos esportivos, como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, a explosão dos setores do petróleo e de energia eólica e os investimentos em infraestrutura impulsionam a busca de profissionais no país. E tudo isso requer um planejamento de longo prazo, o que deve gerar alguns anos de sufoco para os RHs, alerta Mantovani. “O aumento na oferta de empregos para profissionais qualificados faz com que muitos troquem de empregos, contribuindo ainda mais para o desafio da retenção de talentos”, diz o diretor.

Perspectivas

Mesmo com a fuga de profissionais, mais da metade dos RHs dizem que suas empresas pretendem aumentar o número de funcionários neste ano. Reputação no mercado (32,6%), produto ou marca interessante (28,4%) e cultura da organização (15,6%) foram citados como os três principais fatores de atração de candidatos. Quanto aos fatores de retenção, aparecem o desenvolvimento dos talentos (33,5%), aumento de salário (29,5%) e promoções (28%).

Fonte: http://revistavocerh.abril.com.br.

Aliar estratégia à inovação é fundamental para o sucesso da organização como um todo. Aprenda a conciliar esses dois lados da moeda e veja seus resultados melhorarem expressivamente.

A falta de ideias inovadoras é algo que muitas vezes tira o sono de um empreendedor. Quando surge algo que parece completamente novo é normal que a animação contagie todos os envolvidos, que passam a sonhar com a hora de ver a ideia em prática e colher os frutos dessa inovação.

Porém, é justamente nesse momento de euforia que um grande erro pode ser cometido. Pensando apenas na inovação e nos benefícios que ela pode trazer para a organização, os envolvidos se esquecem das estratégias do negócio, que foram construídas ao longo dos anos e que são cruciais para o funcionamento da empresa.

Assim, acabam prejudicando não somente o funcionamento da companhia, mas até mesmo a ideia inovadora, que pode ser que não se encaixe nos padrões da organização e acabe sendo mal aproveitada.

Por isso, antes de sair colocando à prova uma ideia que de cara parece inovadora é preciso pensar em alinhá-la às estratégias do negócio.

Funil da inovação

Uma boa forma de iniciar esse processo de alinhamento é criando o que os especialistas chamam de “funil da inovação”. Com ele, você define como será a evolução do projeto e aumenta as chances de evitar que gastos desnecessários sejam feitos.

Para isso, você precisa definir:

1- Recursos iniciais para desenvolver a ideia;
2- (Pequeno) investimento para montar a estratégia;
3- Investimento (médio) para modelar e testar;
4- Investimento (alto) para lançar.

A partir daí, cabe a você (ou ao gestor do conhecimento responsável pela ideia) ficar de olho em todo o processo e ir adequando as ações sempre que for necessário.

Porém, só isso não basta. É importante, também, que o gestor do conhecimento seja multidisciplinar, como lembra, em entrevista à revista Banas Qualidade, André Saito, PhD em Knowledge Science, diretor de Educação da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC) e do Centro de Open Innovation Brasil).

“A formação acadêmica desse profissional deve ser diversificada dependendo do ramo de atividade da empresa contratante, já que o conhecimento tem que estar alinhado às diretrizes do negócio”, analisa o professor.

Além disso, ele destaca também a importância da educação corporativa. “Aprendizado contínuo é o que se espera desse profissional, no sentido de abordar questões estratégicas, táticas e operacionais relacionadas à Gestão do Conhecimento”.

Tudo isso forma a base necessária para que a inovação não seja feita simplesmente pela necessidade de inovar, mas sim com o objetivo de agregar à estratégia da organização, coisa que, segundo Saito, já acontece dentro da Natura, por exemplo.

E as lições da empresa de cosmético nesse sentido são simples e fáceis de serem colocadas em prática dentro da sua organização. As preocupações dela são:

● Evolução de processos internos;
● Critérios claros para parcerias;
● Foco nos temas estratégicos de pesquisa;
● Estratégia de aquisição de tecnologia;
● Conexão com problemas de financiamento/investimento;
● Busca constante por oportunidades de projetos em parceria;
● Departamento de Pesquisa & Desenvolvimento forte e integrado;
● Capacitação interna e externa;
● Mudança de cultura (integração, colaboração, autonomia e senso crítico).

Fonte: Portal HSM.

Por Marcos Hashimoto*

Poucas áreas da Administração ganharam tanta repercussão e interesse nos últimos anos quanto empreendedorismo e inovação. Abrir um negócio próprio tem deixado de ser alternativa de quem não gosta de estudar para se tornar uma opção viável de carreira bem-sucedida.

Neste contexto, o crescimento do interesse no assunto acompanha proporcionalmente as dúvidas sobre o real significado da atividade empreendedora, sobretudo na discussão de dilemas típicos que acontecem no mundo empreendedor que as escolas não estão ainda preparadas para responder. Neste artigo apresento alguns exemplos de dilemas típicos e possíveis soluções que podem ser aplicadas em diversos tipos de empreendimentos.

1) Dilema do negócio social. Negócios sociais não são empresas tradicionais do segundo setor. Tampouco são empreendimentos com fins exclusivamente sociais do terceiro setor. Negócios sociais podem perfeitamente estar inclusos na categoria Setor 2,5, ou seja, negócios com fins lucrativos, mas que detém em parte importante da sua missão um impacto social ou ambiental positivo. A Solidarium, do empreendedor Tiago Dalvi, vencedor do Prêmio Empreendedor de Sucesso da Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios no final do ano passado, teve um dilema relacionado com este posicionamento no setor 2,5. O que acontece quando uma oportunidade de negócio bastante lucrativa entra em conflito com o benefício social que deveria gerar? Este foi o dilema da Solidarium ao ter que decidir continuar ou não um negócio com uma empresa que lhe fornecia material reciclado para confecção de bolsas. Um fornecedor que não esteja alinhado com os princípios da distribuição de renda justa ao longo da cadeia de valor não é de interesse da Solidarium. Mas esta mesma empresa lhe abriria condições muito interessantes de novos negócios em cadeias varejistas grandes como a Wal Mart. Vale a pena perder boas oportunidades de negócio para não abrir mão de seus princípios? Os fins justificam os meios? No final das contas, Tiago decidiu manter seus princípios e não se arrependeu. Embora tenha demorado um pouco mais do que esperava, com o tempo acabou encontrando alternativas que geraram os mesmos resultados, mas dentro dos princípios esperados.

2) Dilema intra-empreendedor. Empreendedor não é só quem abre um negócio próprio, podem ser também negócios iniciados por funcionários em empresas já existentes. A discussão sobre este tema gira em torno da motivação que certos funcionários têm de iniciar um novo empreendimento para o seu empregador, muitas vezes em troca de nada. Porque eles fazem isso? Trata-se do caso de um jovem analista de sistemas que desenvolve, por conta própria, um sistema de help-desk para resolver os problemas que seus amigos, que trabalham no setor de atendimento da mesma empresa, enfrentam por não terem uma ferramenta apropriada para gerenciar os chamados recebidos. Contra todos – inclusive seu chefe – que diziam que ele não tinha que ficar inventando nada e sim se manter ao seu cargo e posição, fazendo o que mandam apenas. Sua determinação o levou a trabalhar no projeto sem ajuda, dedicando seu tempo livre para desenvolver e testar o sistema. Ele quase foi despedido por sua impertinência e desobediência, mas no final, sua realização foi tão relevante que o sistema não só resolveu os problemas internos da área, mas se tornou mais um produto da companhia, tendo ele como sócio deste novo negócio. É uma história cujo final é raro nos ambientes organizacionais, pois as pessoas são normalmente penalizadas por tentar fazer algo diferente sem autorização e os chefes não costumam tolerar funcionários com autonomia e que assumem riscos por conta própria.

3) Dilema da gestão. Uma das causas mais comuns de fracassos de novos empreendimentos, segundo pesquisa do Sebrae, é a falta de planejamento e competência em gestão. Os cursos de Administração de Empresas e de Gestão de Negócios estão em alta entre pequenos proprietários de empresas porque os empreendedores não querem mais se sujeitar à aventura do improviso e do jogo de cintura para lidar com os imprevistos. Alguns empreendedores, entretanto, não pensam assim, acreditam que pensar demais paralisa, planejar demais gera medo e que a atitude empreendedora é, acima de tudo, a capacidade de realização. Walter Mancini é um destes empreendedores. O império gastronômico que construiu na Rua Avanhandava, em São Paulo, é seu principal argumento. Sua história pessoal, de superação, de fracassos seguidos e dificuldades financeiras também dá muita credibilidade ao seu jeito de pensar, decidir e agir. Walter é destes empreendedores que tomaram cada experiência pessoal como rico aprendizado, muito mais rico do que poderia obter de um banco de escola, e depois de ter sido duramente forjado por tais vicissitudes, toma cada decisão fundamentado nesta experiência, de forma intuitiva e subjetiva. As técnicas e ferramentas que as escolas de gestão são importantes? Sim, fundamentais e imprescindíveis em muitos casos, sobretudo quando o empreendedor não possui esta intuição que Walter goza e usufrui com tanta propriedade. Empreendedores como Walter são raros, únicos, exceções à regra e a regra é: A maioria de nós, que infelizmente não têm este dom, precisa sim, e muito, das racionais e positivistas teorias de como se administra um negócio de sucesso.

4) Dilema da inovação. Muito do que ouvimos falar hoje sobre inovação gira em torno da ciência e da tecnologia. Nada mais natural, uma vez que os avanços nestes campos é que dão maiores chances de geração de inovações radicais e de alto impacto. Talvez por este motivo, a indústria de Venture Capital, ou capital de risco, esteja fortemente embasada neste tipo de inovação, que tem mais chances de gerar negócios de rápido crescimento. O que ainda não sabemos é se este mercado de investimento de risco já está sensível ao potencial de negócios que não necessariamente trazem grandes inovações, mas inovações incrementais de processos produtivos, porém altos ganhos para o ambiente, pelo forte apelo de sustentabilidade. Este é o caso da Ecoplast, que fabrica compostos de plástico com fibras naturais que substituem com perfeição qualquer produto baseado em plástico ou madeira, pois consegue reproduzir o melhor das propriedades de cada material: a durabilidade e flexibilidade do plástico com a consistência e aparência da madeira. Para quem conhece o segmento, sabe que o produto em si não é inovador, já existem muitas empresas que fazem isso. O mérito dos empreendedores por trás da Ecoplast, Débora Bonato, Marcelo Albernaz e Plínio Akamine está no processo produtivo. Eles desenvolveram uma técnica que melhora a eficiência no processo produtivo, não só reduzindo os custos operacionais, mas permitindo o uso de uma variedade maior de fibras naturais na composição, como bagaço de cana, casca de arroz e casca de coco. Apesar da inovação, os empreendedores não conseguem levantar os fundos necessários para montar o negócio, porque os investidores têm ofertas melhores de negócios baseados em inovação de alto impacto. A saída foi dar um novo direcionamento ao seu plano de negócio e seu discurso de venda, ressaltando o fato de que o novo processo contribui para o uso de fibras naturais, antes desperdiçadas em atividades de baixo valor, como fornos de biomassa, para serem reinseridas na cadeia de valor na forma de produtos acabados, ou seja, um apelo muito mais forte no argumento da sustentabilidade do que na inovação em processo.

5) Dilema do capital de risco. A despeito do crescimento da indústria de capital de risco no mundo inteiro, sobretudo em economias emergentes com o Brasil, que surgiu como opção muito atrativa à crise econômica internacional, a disponibilidade de fontes de recursos financeiros de risco para startups ainda é muito abaixo do que a demanda do mercado. Isso fez com que empreendedores endeusem os investidores de risco além do recomendável. Indo contra esta maré, surge o Chaps.com, um negócio de vendas de capítulos de livros pela internet especializado no mercado de livros textos acadêmicos. Os cinco empreendedores conceberam o negócio em meio ao primeiro grande ‘boom’ das empresas de internet, no final da década de 90, a tão propalada ‘nova economia’ que despertou o mundo para o investidor de risco, ou venture capitalists. Ao escrever o plano de negócios, estes empreendedores se deram conta que o negócio deles era tão interessante e tão atrativo, que escolheram o modelo de financiamento por débito ao invés de equities. Isso significava que eles pediriam dinheiro ao investidor com uma promessa de retorno com base em uma taxa de remuneração pré-estabelecida, totalmente contrária à lógica do investimento de risco, no qual o investidor entra com um forte aporte financeiro objetivando alto e rápido crescimento para um retorno muitas vezes a mais do valor investido como recompensa de ter compartilhado o risco com o empreendedor. Na visão dos sócios, o negócio era de baixo risco. O plano de negócios mostrava que sob todos os cenários, mexendo em todas as variáveis e diante dos diversos riscos, o negócio sempre seria altamente lucrativo. Portanto, porque dividir os altos lucros se o risco de fracasso seria baixo? Diante desta lógica, os empreendedores foram bater na porta dos investidores com este plano de negócio. Apesar da promessa de retorno ser alta, os investidores não se interessaram porque a lógica deles é baseada no modelo de equities, ou seja, uma participação no negócio, que seria vendida algum tempo depois para realizar os ganhos. Resultado: a busca foi infrutífera e, quando se decidiu abrir mão dos ganhos para conseguir captar um investimento, deu-se a quebra da Nasdaq, o ‘estouro da bolha da internet’, quando então os fundos de capital de risco caíram em si da insanidade do mercado de risco e subitamente, como a síndrome do gato escaldado, interromperam todos os investimentos em startups, redirecionando seu foco em negócios já estabelecidos, com o mínimo de ativos como lastro de segurança. Com esta mudança de postura, o Chaps.com, que só existia no papel, enterrou de vez suas pretensões empreendedoras.

(*) É consultor, professor da ESPM e um dos autores do livro Práticas de Empreendedorismo: Casos e Planos de Negócios, Editora Elsevier.

Fonte: Época Negócios Online.

A Administração não é uma disciplina puramente mercadológica. Deve ser uma filosofia de vida nos âmbitos pessoal e social. Quão bem você administra as múltiplas áreas da sua existência?

Por Miguel R. Olivas*

Você escolheu ser administrador. Parabéns! Em artigos e reportagens anteriores, você já deve ter lido que a Administração é a área que mais forma profissionais no Brasil, o que pode nos dar a tranquilidade de não estarmos sós. Na verdade, alguns diriam que temos companhia demais.

Também deve saber da grande variedade de escolas e da qualidade oferecida pelas instituições e seus professores. Isso poderia incomodá-lo, fazê-lo sentir que seu futuro profissional será muito disputado. Mas não se preocupe: não existe formação profissional perfeita e qualquer decisão de carreira que tomemos sempre terá algum lado negativo. Para mim, a pergunta mais importante não é se fiz a melhor escolha, mas quão bem a coloco em prática.

Dois princípios que uso para otimizar a aplicação do material nos cursos de Administração que ofereço em graduações e mestrados são o equilíbrio e os “círculos concêntricos”. Ao falar de equilíbrio, quero dizer, essencialmente, que todos os nossos interesses devem estar harmonizados, sem contradições internas ou proporções inadequadas. Já com o princípio de “círculos concêntricos”, quero dizer que necessitamos estar assegurados de que essa harmonia interna transcenda as áreas interpessoal, social e assim sucessivamente.

O primeiro princípio é simples: no âmbito pessoal, nossa vida é composta de áreas importantes como a espiritual, a intelectual, a física, a artística, a econômica etc. É muito fácil descuidar de algumas dessas áreas ao longo da vida. Porém, de que nos serve ter sucesso economicamente se não temos saúde? Ou, então, dedicar uma grande parte do nosso tempo ao intelectual, mas não desenvolvermos nossas capacidades artísticas? Minha sugestão é balancear todos esses aspectos importantes de nossas vidas para nos ajudar a viver com maior plenitude e afetar positivamente as pessoas que nos rodeiam. Conceitos como realização profissional, compromisso organizacional e participação são mais facilmente observados em pessoas que buscam ativamente um equilíbrio em sua vida pessoal.

É verdade que, em algumas ocasiões, temos que dar prioridade a certas áreas. Por exemplo, é importante focar-se nos estudos durante os anos de preparação profissional. Obter boas notas nos abre portas, como fazer uma pós-graduação, conseguir bolsas ou ingressar em empresas interessadas em atrair profissionais de alto valor. Mas também é crucial não descuidar da nossa saúde – mediante uma boa alimentação e exercícios físicos adequados – nem do espiritual, através de preparação, meditação e apreciação das artes.

O segundo princípio se refere a levar esse equilíbrio às áreas interpessoal e social. À medida que as relações com o cônjuge, a família, o grupo de trabalho, a comunidade – os círculos concêntricos que rodeiam nossa individualidade – tenham prioridades adequadas, nossas vidas e as dos que nos cercam serão mais ricas e estarão cheias de satisfação e sucesso.

Quais as consequências da falta de equilíbrio pessoal quando isso acontece de maneira sistêmica ou em grande escala? Basta recordar o que iniciou a crise econômica nos Estados Unidos em 2008. Compradores de casas se endividaram muito mais do que podiam pagar, por conta dos créditos bancários disponíveis para quem quisesse aceitá-los.

Qualquer pessoa, sem importar sua escola ou seus professores, pode aplicar esses princípios em sua vida pessoal e profissional. Afinal de contas, estudamos para alcançarmos melhores níveis profissionais porque queremos ser felizes em nossas vidas pessoais, fazendo também felizes os que nos cercam. À medida que conseguirmos administrar esse equilíbrio, seremos os melhores administradores possíveis.

(*) É professor de Ciências Administrativas na Universidade Clarion de Pennsylvania (EUA). Suas pesquisas têm sido apresentadas em quatro continentes e três idiomas. É editor-chefe do “Business Journal of Hispanic Research” e editor da série de livros “Advanced Series in Management”.

Fonte: Portal Administradores.